Ibovespa fecha em queda com cena corporativa e inflação em foco

Publicado em 12/05/2026 17:33

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 12 Mai (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, perdendo o patamar dos 180 mil pontos na mínima do dia, em sessão marcada por noticiário corporativo intenso e dados de inflação no Brasil e nos EUA, além de nova alta do preço do petróleo no mercado internacional.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,80%, a 180.342,33 pontos, após marcar 179.938,70 pontos no pior momento. Na máxima, marcou 181.896,57 pontos. O volume financeiro somou R$29,11 bilhões.

O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 3,42%, a US$107,77, diante do enfraquecimento nas expectativas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã, que permita a reabertura do Estreito de Ormuz, relevante rota da commodity.

O avanço nas cotações da commodity desde o começo do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, tem preocupado investidores por causa do efeito na inflação e seus reflexos em políticas de bancos centrais no mundo.

Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, há um medo de uma possível persistência da inflação no globo como um todo e como os BCs irão reagir a tal cenário. 

Nesta terça-feira, dados mostraram que o índice de preços ao consumidor nos EUA acelerou em abril, com a leitura em 12 meses registrando a maior alta em quase três anos, diante do avanço nos preços de combustíveis.

Wall Street fechou com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, em queda de 0,16%.

No Brasil, o IPCA em 12 meses mostrou alta de 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

"Com os preços de petróleo elevados e na ausência de uma resolução do conflito no Oriente Médio, prevemos um período de inflação pressionada nos próximos meses", afirmaram economistas do Bradesco ao comentar o IPCA.

DESTAQUES

• PETROBRAS PN caiu 1,62%, após a estatal reportar uma queda de 7,2% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, resultado que ainda não refletiu a recente disparada dos preços globais do petróleo. O lucro de R$32,7 bilhões entre janeiro e março ficou abaixo das estimativas de analistas consultados pela LSEG, que apontavam R$34,4 bilhões. A empresa também anunciou a aprovação de pagamento de remuneração aos acionistas de R$9 bilhões. A presidente-executiva da estatal disse que Petrobras avalia realizar um aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras "já, já", mas busca ter certeza de que irá defender participação de mercado, considerando a concorrência do seu produto com o etanol.

• BRASKEM PNA disparou 29,02% após analistas do JPMorgan elevarem a recomendação das ações para "overweight", bem como o preço-alvo de R$10,50 para R$15, citando melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais apertada e fortalecimento da governança após a reestruturação. Profissionais do mercado citaram forte movimento de "short squeeze", que ajudou a ampliar a alta. Declarações da CEO da Petrobras com potenciais reflexos na Braskem também repercutiram no pregão.

• HAPVIDA ON fechou em alta de 9,27%, após disparar 15,6% na máxima do pregão, um dia após a operadora de planos de saúde e odontológicos divulgar Ebitda ajustado de R$803 milhões, queda de 20% na base anual, mas acima de previsões de analistas. Analistas do Safra destacaram que a sinistralidade caixa de 72,2% veio melhor do que o esperado, o que ajudou o Ebitda a ficar acima das expectativas. O presidente-executivo disse que a Hapvida poderá vender algumas de suas operações e fechar outras no país em meio ao plano para simplificar a estrutura da empresa de planos de saúde e acelerar a redução de dívida.

• DIRECIONAL ON avançou 3,5%, tendo como pano de fundo alta de 30% no lucro líquido do primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$213 milhões. A companhia também reportou consumo de caixa contábil no período de R$76 milhões, maior que os R$14,9 milhões de um ano antes. A construtora, de acordo com o seu presidente-executivo, avalia que um cenário de alta de custos pode pressionar rivais menos preparados, gerando oportunidades de incremento de lançamentos pela companhia nos próximos anos.

• NATURA caiu 5,62%, na esteira da divulgação de um prejuízo líquido de R$445 milhões no primeiro trimestre, acima do resultado negativo de R$152 milhões sofrido no mesmo período do ano passado. Em teleconferência com analistas nesta terça-feira, o presidente-executivo disse que mantém a expectativa de recuperação gradual de receita, mas destacou que uma migração no sistema de gestão empresarial em junho pode causar "turbulência" nas operações.

• AZZAS 2154 ON recuou 3,29%, em meio a uma disputa judicial interna. A companhia afirmou nesta terça-feira que foi surpreendida pela existência de pedido judicial do acionista Roberto Jatahy referente à gestão da unidade de moda masculina da companhia e disse que tomará as medidas aplicáveis. Mais cedo, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou que Jatahy ingressou com uma ação cautelar para impedir a desintegração da Reserva da unidade de negócios sob seu comando. Uma pessoa próxima à companhia disse que a ação cautelar, já deferida, não tem como objetivo cindir a empresa, criada em 2024, a partir da fusão entre Arezzo & Co e Grupo Soma. O objetivo, disse a fonte, é proteger seus acionistas da perda de valor decorrente da eventual desintegração de uma das marcas.

• MRV&CO ON perdeu 1,71%, com o balanço do primeiro trimestre também no radar,  com prejuízo líquido ajustado de R$14 milhões. A MRV Incorporação teve lucro líquido ajustado de R$133 milhões, com a margem bruta no período alcançando 31%. A Resia, subsidiária norte-americana da MRV&Co, teve prejuízo de US$15,8 milhões.

• VALE ON cedeu 0,24%, acompanhando o declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 0,98%. A mineradora também estimou nesta terça-feira um incremento de aproximadamente US$1,5 bilhão no fluxo de caixa livre em 2026 para o segmento de soluções de minério de ferro, considerando as novas condições de mercado decorrentes do conflito no Oriente Médio.

• ITAÚ UNIBANCO PN encerrou com declínio de 1,14%, BRADESCO PN recuou 0,72%, SANTANDER BRASIL UNIT terminou com variação negativa de 0,65% e  BANCO DO BRASIL ON, que divulga balanço no final da quarta-feira, caiu 1,02%.

• GRUPO TOKY ON, que não faz parte do Ibovespa, desabou 41,38%, após a holding que controla a Tok&Stok e a Mobly divulgar que entrou com pedido de recuperação judicial, citando uma dívida superior a R$1 bilhão.  "Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou a empresa em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).  Tal circunstância, acrescentou, "exige a adoção urgente de medidas adicionais destinadas a preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital".

(Por Paula Arend Laier; edição de Igor Sodré)

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Fonte:
Reuters

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