IPCA desacelera em abril mas taxa em 12 meses avança em meio à cautela do BC
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Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 12 Mai (Reuters) - A inflação brasileira desacelerou em abril um pouco mais do que o esperado pelos analistas, mas foi ainda mais para acima no acumulado em 12 meses em meio à cautela do Banco Central.
Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67%, de alta de 0,88% em março, mostraram os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa em pesquisa de Reuters, de avanço mensal de 0,69%.
O resultado levou a inflação acumulada em 12 meses a subir 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O Banco Central decidiu no final de abril cortar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de "calibração" da taxa e ressaltando o distanciamento da inflação corrente da meta.
Por trás da cautela do BC estão as incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação.
Em abril, as principais influências vieram dos grupos alimentos e bebidas, com alta de 1,34%, de 1,56% em março, e saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,16%, de 0,42% no mês anterior.
A alimentação no domicílio avançou 1,64%, com altas da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%).
"Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos", explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.
Em saúde, os produtos farmacêuticos tiveram alta de 1,77%, após autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos a partir de 1° de abril.
Por sua vez, o subitem com maior impacto individual no IPCA foi a gasolina, cuja alta de preços desacelerou a 1,86%, de 4,59% em março, mesmo em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que mantém a passagem de navios com petróleo pelo Estreito de Ormuz prejudicada.
Os combustíveis tiveram alta de 1,80% no mês, com óleo diesel subindo 4,46% e o etanol, 0,62%. O grupo Transportes avançou apenas 0,06% em abril, de 1,64% em março, diante ainda da queda de 14,45% no subitem passagem aérea.
A inflação de serviços caiu a 0,04% em abril, de 0,53% em março, atingindo em 12 meses 5,75%.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em abril queda de 2 pontos percentuais, a 65%.
A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 4,91% em 2026, indo a 4,0% em 2027.
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