Dólar mostra estabilidade no Brasil após EUA rejeitarem acordo com Irã sobre guerra
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) - Em uma sessão de liquidez limitada, o dólar oscilou em margens estreitas e fechou a segunda-feira perto da estabilidade, ainda que no exterior a divisa norte-americana tenha sustentado ganhos ante algumas divisas de países emergentes, após os EUA rejeitarem a resposta do Irã à proposta de paz norte-americana.
O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,10%, aos R$4,8911. Esta é a menor cotação desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda norte-americana encerrou em R$4,8667. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,89% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,03% na B3, aos R$4,9165, com apenas cerca de 128 mil contratos negociados até este fim da tarde.
O Irã divulgou no domingo uma proposta para dar fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel combate os militantes do Hezbollah. O país solicitou uma compensação por danos de guerra e o fim do bloqueio naval dos EUA, com soberania iraniana no Estreito de Ormuz e garantia de que não haverá novos ataques, entre outras exigências.
Sem dar detalhes, Trump classificou a proposta como “totalmente inaceitável”, mantendo o impasse sobre a guerra. Nesta segunda-feira, Trump voltou a atacar as exigências do Irã, chamando a proposta -- na verdade, uma resposta a outra proposta feita anteriormente pelos EUA -- de “estúpida”.
Trump disse ainda que o cessar-fogo entre os países está “respirando por aparelhos”.
Em reação, o petróleo Brent voltou a subir nesta segunda-feira, para perto dos US$104 o barril neste fim de tarde, enquanto o dólar sustentou ganhos ante parte das demais divisas, incluindo pares do real como a rupia indiana, o peso chileno e a lira turca.
No Brasil, o dólar chegou a registrar leves altas, mas no geral não se afastou da estabilidade, oscilando em margens estreitas durante toda a sessão.
Após marcar a máxima de R$4,9059 (+0,20%) às 9h55, o dólar à vista atingiu a mínima de R$4,8858 (-0,21%) às 11h19, para depois se reaproximar da estabilidade. Da máxima para a mínima, a oscilação foi de apenas -0,41%.
“O dólar tentou acompanhar a valorização global da moeda, em função da alta do petróleo com o conflito (no Oriente Médio) que não se decide. Mas ele andou de lado no Brasil”, resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano passou de R$5,25 para R$5,20. Há um mês, a cotação projetada era de R$5,37.
No caso da Selic, a taxa projetada para o fim de 2026 seguiu em 13,00%, mas para o encerramento de 2027 passou de 11,00% para 11,25%, com os economistas vendo um espaço menor para cortes de juros em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.
O diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como os EUA, cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.
Às 17h14, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,05%, a 97,961.
(Edição de Alexandre Caverni)
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