Ata do Copom reforça cautela com inflação acima da meta
Por Pedro Gomes
O Copom cortou 0,25 p.p. e levou a Selic para 14,50% ao ano. A mensagem principal é que isso não representa uma virada de chave. O que aparece na ata é uma lógica de calibração, com ajuste fino dentro de um ambiente que ainda segue restritivo. O Banco Central evita antecipar o próximo passo e deixa claro que a magnitude e a duração do ciclo vão depender da evolução dos dados.
O ambiente externo ganhou peso maior na leitura do Copom. A ata cita incerteza elevada por causa do Oriente Médio, com impacto sobre condições financeiras, commodities e energia. Na prática, isso significa mais cautela, porque choque de petróleo pode voltar a pressionar a inflação e dificultar o trabalho de desinflação, principalmente em emergentes.
O ponto mais sensível continua sendo a inflação e as expectativas. A ata reconhece aceleração da inflação cheia e dos núcleos e reforça que as expectativas seguem acima da meta. Hoje, o Focus mostra inflação de 4,9%, acima da meta que era 4,0%. O Copom volta a bater na tecla da desancoragem e deixa a leitura clara: quanto mais desancoradas estiverem as expectativas, mais juros restritivos e por mais tempo serão necessários para trazer a inflação de volta.
O fiscal continua aparecendo como risco estrutural para juros e câmbio. O Copom reforça que a condução fiscal mexe com prêmio de risco e com a taxa neutra. Se piora a percepção sobre dívida e regras fiscais, sobe o custo da desinflação. E isso bate direto na curva de juros e no dólar.
No cenário de referência, o Banco Central trabalha com câmbio partindo de R$ 5,00 e petróleo seguindo a curva por seis meses. A projeção de inflação do Copom fica em 4,6% em 2026 e em 3,5% no quarto trimestre de 2027, que é o horizonte relevante da política monetária.
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