Membro do BCE diz que preocupações com recessão na zona do euro são "reais e justificadas"
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NICOSIA, 3 Mai (Reuters) - As preocupações de que a zona do euro possa entrar em recessão se o conflito no Oriente Médio continuar são "reais e justificadas" e as negociações para acabar com a guerra serão fundamentais para a política monetária do Banco Central Europeu (BCE), disse o presidente do Banco da Grécia, Yannis Stournaras.
Stournaras, que também é membro do conselho de diretores do BCE, afirmou em uma entrevista publicada neste domingo no jornal Phileleftheros, do Chipre, que embora a economia da zona do euro seja resistente, seu ímpeto enfraqueceu.
"As preocupações com a possibilidade de uma recessão na zona do euro são reais e justificadas, dada a nova interrupção negativa do lado da oferta causada pelo conflito no Oriente Médio", disse Stournaras. "O aumento dos preços da energia e a crescente incerteza afetam diretamente o crescimento e a inflação, dada a alta dependência energética da zona do euro."
"Em contraste com 2022, o aumento da inflação está ocorrendo em um ambiente de crescimento já mais fraco, condições financeiras mais rígidas e espaço fiscal reduzido, o que limita o espaço para políticas e torna as economias mais vulneráveis", avaliou Stournaras.
Até o momento, não houve nenhum efeito de transbordamento significativo dos preços mais altos da energia sobre a inflação, mas os danos à infraestrutura energética podem gerar pressões inflacionárias no médio prazo, segundo ele, e a incerteza pode prejudicar o investimento e o crescimento.
"Nossa resposta dependerá da intensidade, duração e canais de transmissão do choque. Se ele for transitório e não tiver efeitos secundários significativos, não será necessário fazer nenhum ajuste na política monetária", disse.
Uma ultrapassagem grande, porém temporária, da meta do BCE pode exigir um ajuste para limitar os efeitos inflacionários de segunda ordem.
"Se isso levar a um desvio grande e persistente da inflação em relação à meta, então a resposta deve ser robusta", acrescentou.
(Texto de Michele Kambas)
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