Dólar fecha estável ante o real com guerra no Oriente Médio no foco
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 22 Abr (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira pós-feriado no Brasil estável, novamente conduzido pelo noticiário da guerra no Oriente Médio, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogar indefinidamente o cessar-fogo com o Irã.
O dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de apenas 0,01%, cotado aos R$4,9736, o menor valor de fechamento registrado até agora em 2026.
No ano, a divisa passou a acumular queda de 9,39% ante o real.
Às 17h04, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,39% na B3, aos R$4,9820.
Trump anunciou a extensão do cessar-fogo pelas redes sociais, embora não estivesse claro se o Irã ou Israel, o aliado dos EUA na guerra, concordariam com a trégua.
Por sua vez, o Irã capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, depois de disparar contra eles e outra embarcação, nas primeiras apreensões iranianas desde o início da guerra.
Segundo o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
Neste cenário ainda turbulento no Oriente Médio, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril e o dólar sustentava ganhos ante uma cesta de divisas fortes.
No Brasil, após marcar a cotação máxima de R$4,9914 (+0,35%) às 9h16, o dólar à vista atingiu a mínima de R$4,9550 (-0,39%) às 11h03, em mais uma sessão de oscilações em margens estreitas.
“A história sobre se sai ou não um acordo entre EUA e Irã pegou para os dois lados hoje: uma hora o dólar subiu, outra ele caiu, mas sempre em margens estreitas”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, que vê espaço para uma queda adicional das cotações.
“(Caso seja) resolvida essa guerra, a tendência é de dólar um pouco mais para baixo, porque voltará o fluxo externo, a arbitragem”, disse.
Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, “o Brasil tem se destacado como destino de alocação em um ambiente geopolítico global incerto e fragmentado”.
“Esse pano de fundo reforça nossa visão de continuidade da tendência de apreciação do real no curto e médio prazos, mas em ritmo mais moderado”, acrescentou em análise escrita.
Pela manhã, o Banco Central do Brasil informou que em virtude do feriado de Tiradentes, na véspera, a divulgação dos dados semanais de fluxo cambial foi adiada desta quarta-feira para quinta-feira, no horário das 14h30.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
No exterior, às 17h13, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,26%, a 98,629.
(Edição de Isabel Versiani)
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