Taxas dos DIs sobem ajustando-se a Treasuries e petróleo após feriado no Brasil
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 22 Abr (Reuters) - Em meio às incertezas com a guerra no Oriente Médio, as taxas dos DIs fecharam a quarta-feira em alta, ajustando-se ao avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo na véspera, quando o mercado brasileiro esteve fechado em função do feriado de Tiradentes.
Com o petróleo novamente acima dos US$100 o barril, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,43%, em alta de 12 pontos-base ante o ajuste de 13,315% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,475%, com elevação de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,372%.
Na terça-feira, com o mercado brasileiro fechado, os rendimentos dos Treasuries e o petróleo subiram, em meio às dúvidas sobre o andamento do cessar-fogo entre EUA e Irã.
Nesta quarta-feira, as taxas dos DIs se ajustaram em alta a esse cenário, com o petróleo Brent voltando a superar os US$100 o barril, reforçando as preocupações em torno do impacto inflacionário da guerra.
“O cenário da guerra voltou a ficar tenso. O petróleo andou bastante ontem, e hoje ele está subindo também”, comentou durante a tarde o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.
O movimento ocorreu a despeito de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado pelas redes sociais a extensão do cessar-fogo com o Irã, embora não estivesse claro se o Teerã ou Israel, o aliado dos EUA na guerra, concordariam.
Por sua vez, o Irã capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, depois de disparar contra eles e outra embarcação, nas primeiras apreensões iranianas desde o início da guerra.
No Brasil, as taxas futuras se mantiveram em alta em toda a curva, com o DI para janeiro de 2035 marcando a máxima de 13,505% (+13 pontos-base) às 13h59.
Na ponta curta da curva, os investidores seguiram consolidando as apostas de que o Banco Central anunciará na próxima semana um corte de apenas 25 pontos-base da Selic, hoje em 14,75% ao ano.
“Os 25 estão quase cravados na curva”, comentou Serrano, que em função da guerra espera um corte dessa magnitude na próxima semana e também na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em junho.
Na segunda-feira pré-feriado -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 79,5% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 11% de chance de redução de 50 pontos-base. Em 6 de abril, um dia antes de EUA e Irã fecharem o cessar-fogo de duas semanas, agora prorrogado, os percentuais eram de 55% e 21,1%, respectivamente.
No mercado norte-americano de títulos, após o avanço da véspera os rendimentos de curto prazo mostravam altas leves neste fim de tarde. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha alta de 2 pontos-base, a 3,794%. Já o retorno do papel de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- mostrava estabilidade, a 4,296%.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quarta-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 13,99 13,937 0,053
JAN/28 13,43 13,315 0,115
JAN/29 13,27 13,168 0,102
JAN/30 13,315 13,207 0,108
JAN/31 13,365 13,261 0,104
JAN/35 13,475 13,372 0,103
(Edição de Isabel Versiani)
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