Dólar fecha estável, abaixo de R$5,00, com mercado à espera de desfecho para a guerra
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 16 Abr (Reuters) - Em mais um dia de espera pelo desfecho das conversas entre EUA e Irã, o dólar encerrou a quinta-feira estável ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes.
O dólar à vista fechou o dia com variação positiva de apenas 0,01%, aos R$4,9934.
No ano, a divisa passou a acumular baixa de 9,03% ante o real.
Às 17h19, o dólar futuro para maio DOLc1 -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,08% na B3, aos R$5,0085.
Ao longo do dia, investidores ao redor do mundo reagiram ao noticiário sobre a guerra e seus ruídos.
Fontes iranianas disseram à Reuters que os negociadores de EUA e Irã reduziram suas ambições em relação a um acordo de paz abrangente, após as conversas do último fim de semana, em Islamabad, não terem avançado. Os dois países estariam agora buscando um memorando temporário para evitar o retorno do conflito no curto prazo.
À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel -- também envolvidos nos conflitos que se espalharam pelo Oriente Médio -- e disse que a próxima reunião entre norte-americanos e iranianos pode ocorrer no fim de semana.
Neste cenário, o dólar à vista oscilou em margens estreitas no Brasil, entre a mínima de R$4,9855 (-0,14%) às 9h46 e a máxima de R$5,0154 (+0,45%) às 11h56.
No exterior, o dólar subia no fim da tarde ante o peso chileno e o rand sul-africano, mas caía ante o peso colombiano e a rupia indiana, em um sinal de que o noticiário sobre a guerra não trouxe gatilhos fortes para definir uma tendência única.
No Brasil, profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias têm pontuado que, ao ceder abaixo dos R$5,00, o dólar ficou com menos espaço para continuar a trajetória de queda.
“O investidor estrangeiro olha muito menos para o mercado interno. Ele está menos sensível às eleições e ao rombo fiscal, na comparação com o investidor local. Isso acaba fortalecendo o fluxo estrangeiro”, comentou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, ao avaliar os recuos recentes da moeda norte-americana.
“Mas o dólar está muito próximo de um fundo. Nós não vemos muito mais espaço para cair, e deve ocorrer uma reversão até o fim do ano, até pelo cenário interno, de eleições”, acrescentou.
Pela manhã, o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, ficando acima da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters de alta de 0,47%.
Na renda fixa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram leves ganhos após o IBC-Br acima do esperado, com investidores consolidando apostas de que o BC cortará a taxa básica Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
(Edição de Isabel Versiani e Paula Arend Laier)
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