Alívio com trégua dá lugar a alarme com Israel atacando Líbano e Irã atingindo países vizinhos
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Por Steve Holland, Parisa Hafezi, Alexander Cornwell e Maya Gebeily
WASHINGTON/DUBAI/TEL AVIV/BEIRUTE, 8 Abr (Reuters) - O alívio com a trégua entre Estados Unidos e Irã deu lugar, nesta quarta-feira, ao alarme de que os combates ainda estão ocorrendo em toda a região, com Israel lançando seus maiores ataques até então contra o Líbano e o Irã atingindo instalações petrolíferas de países vizinhos do Golfo.
Os mercados financeiros subiram depois que o presidente Donald Trump anunciou o acordo na terça-feira, duas horas antes do prazo que ele havia estabelecido para que o Irã abrisse o Estreito de Ormuz, que está bloqueado, ou enfrentaria a destruição de "toda a sua civilização".
Mas, mesmo com a pausa nos ataques ao Irã, Israel intensificou sua guerra paralela no Líbano, lançando o que descreveu como seus maiores ataques até o momento, os quais, segundo o ministro da Saúde do Líbano, causaram centenas de vítimas.
Embora os Estados Unidos e o Irã tenham declarado vitória, suas principais disputas permaneceram sem solução, cada um mantendo suas demandas concorrentes para um possível acordo de paz que poderia moldar o Oriente Médio por gerações.
Uma autoridade iraniana sênior envolvida nas discussões disse à Reuters que Teerã pode abrir o Estreito de Ormuz na quinta ou sexta-feira antes das negociações de paz planejadas no Paquistão, se uma estrutura para o cessar-fogo for acordada.
Nesta quarta-feira, Estados Unidos e Israel pareciam estar cumprindo sua promessa de interromper a devastadora campanha aérea que atingiu centenas de alvos iranianos por dia durante seis semanas.
No entanto, no Líbano, as explosões atingiram áreas residenciais em Beirute e enormes colunas de fumaça subiram ao céu. Moradores de Beirute e do sul do país disseram que os ataques ocorreram sem os avisos habituais de retirada dos prédios alvos.
Enquanto isso, os vizinhos do Irã no Golfo, incluindo Kuweit, Emirados Árabes Unidos e Barein, ainda relatavam ataques de mísseis e drones iranianos. Duas fontes disseram que houve ataques ao gasoduto da Arábia Saudita para o Mar Vermelho, a principal saída do petróleo do Golfo para contornar o estreito bloqueado.
CONVITE PARA CONVERSAÇÕES
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que convidou delegações do Irã e dos EUA para se reunirem em Islamabad na sexta-feira para o que seriam as primeiras negociações oficiais de paz da guerra, e que o presidente do Irã confirmou que Teerã participaria.
Mas não houve confirmação oficial de Washington sobre os planos de participar de conversações presenciais. A Casa Branca disse que nenhuma reunião seria considerada oficial até que fosse formalmente anunciada.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, visto como possível chefe de uma delegação norte-americana, afirmou que Trump havia dito aos negociadores que tentassem chegar a um acordo, embora Vance não tenha confirmado conversas em um horário ou local específico.
Em uma série de publicações online na manhã de quarta-feira, Trump anunciou novas tarifas de 50% sobre todos os produtos de qualquer país que forneça armas ao Irã. Ele insistiu que o Irã havia passado por uma "mudança de regime" e que concordaria em não enriquecer urânio, que pode ser usado em ogivas nucleares.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que Washington havia obtido uma vitória militar decisiva e que o programa de mísseis do Irã foi destruído de forma funcional.
Washington disse que o Irã havia concordado em abrir o Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito. Mas a autoridade sênior iraniana deixou claro que isso ainda estava condicionado à obtenção de um acordo de cessar-fogo. A autoridade disse que a abertura inicial, se acordada, seria "limitada" e os navios ainda precisariam de permissão iraniana para passar.
Multidões saíram às ruas do Irã durante a noite para comemorar, agitando bandeiras iranianas e queimando bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Mas também havia receio de que o acordo não se concretizasse.
"Israel não permitirá que a diplomacia funcione e Trump pode mudar sua opinião amanhã. Mas pelo menos podemos dormir esta noite sem ataques", disse Alireza, de 29 anos, em Teerã, à Reuters por telefone.
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