Déficit primário do governo central recua 8,4% em fevereiro, para R$30 bilhões
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 30 Mar (Reuters) - O governo central registrou um déficit primário de R$30,046 bilhões em fevereiro, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira, resultado ligeiramente melhor que o esperado pelo mercado, com queda real de 8,4% em relação ao rombo do mesmo mês de 2025.
Esse foi o menor déficit primário para um mês de fevereiro desde 2022, quando o rombo foi de R$24,510 bilhões, conforme a série histórica do Tesouro.
O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas -- que excluem transferências para governos regionais -- de R$157,681 bilhões, um aumento real de 5,6% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$187,727 bilhões, alta de 3,1%.
Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$31,312 bilhões no mês.
O crescimento real (descontada a inflação) da receita em fevereiro foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de 4,1% nas receitas administradas pela Receita Federal (+R$5,5 bilhões) -- com impacto de um aumento de 35,6% na arrecadação do IOF e de 8,1% na da Cofins -- e pela alta de 5,6% na arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social (+R$3,1 bilhões).
No caso das despesas, o avanço real no mês passado deveu-se principalmente aos aumentos das despesas discricionárias (+R$5,4 bilhões), dos gastos com pessoal e encargos sociais (+R$2,2 bilhões) e dos benefícios previdenciários (+R$1,7 bilhão).
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o governo central registrou um superávit primário de R$56,854 bilhões, graças ao resultado positivo de janeiro. O saldo representa uma alta real de 1,4% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado.
IMPACTOS NA DÍVIDA
Os déficits primários pressionam a dívida bruta brasileira, atualmente em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e que também sofre o impacto dos juros altos.
Durante entrevista para apresentação dos dados do governo central, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, foi questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,75% ao ano, não ser tão grande quanto se esperava -- o que afetaria negativamente a trajetória da dívida.
Segundo ele, porém, em todos os cenários traçados pelo Tesouro a dívida "continua sustentável".
"Mesmo que o ciclo de cortes da Selic não seja tão grande quanto se estava imaginando, existem várias maneiras de ir compensando", comentou, em referência à dinâmica da dívida. "Não é só a Selic que efetivamente impacta o custo da dívida", acrescentou.
O mercado tem projetado um ciclo menor de cortes da Selic em função da guerra que opõe Estados Unidos e Israel contra o Irã, que impulsiona os preços do petróleo, impactando a inflação nos países.
No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim deste ano está em 12,50% -- acima dos 12,00% de um mês atrás, antes da guerra.
(Edição de Camila Moreira e Isabel Versiani)
0 comentário
Forças dos EUA impedem que mais de 70 navios-tanque entrem e saiam dos portos iranianos
Criação de vagas nos EUA deve ter desacelerado em abril com redução de fatores temporários
Ações da China registram quinto ganho semanal, apesar das novas hostilidades entre EUA e Irã
Trump afirma que cessar-fogo ainda se mantém após confrontos entre EUA e Irã
Corte de Comércio dos EUA se pronuncia contra tarifas globais de 10% impostas por Trump
Dólar termina pregão estável no Brasil com mercado atento ao Oriente Médio