Taxas dos DIs têm altas firmes com IPCA-15 acima do esperado e cautela sobre a guerra
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 26 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas firmes, próximas de 30 pontos-base em alguns vencimentos, influenciadas pela inflação do IPCA-15 acima do esperado pelo mercado e pela cautela dos investidores em relação à guerra no Oriente Médio.
Em mais uma sessão de alta do preço do petróleo, no fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,115%, com elevação de 32 pontos-base ante o ajuste de 13,8% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,155%, com alta de 16 pontos-base ante 13,992%.
Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,44% em março -- mais que a taxa de 0,29% projetada por economistas ouvidos pela Reuters, mas bem abaixo do 0,84% de fevereiro.
A abertura do indicador surpreendeu positivamente. A inflação de serviços passou de 1,49% em fevereiro para 0,49% em março, conforme cálculos do banco Bmg, com a taxa dos serviços subjacentes desacelerando de 0,66% para 0,49%. No caso dos serviços intensivos em mão de obra, houve estabilidade em 0,66%. A média dos núcleos de inflação observados pelo BC passou de 0,65% em fevereiro para 0,35% em março.
Apesar das taxas favoráveis, o IPCA-15 cheio acima do esperado deu suporte à curva de juros no Brasil, afirmou o economista-chefe da AZ Quest, André Muller.
“Além disso, há um impacto do ambiente externo, notadamente a alta do preço do petróleo, que tem mostrado alta correlação com as taxas de juros no Brasil e em outras economias”, avaliou Muller.
Nesta quinta-feira, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os negociadores iranianos estavam "implorando" por um acordo, o Irã disse que o plano norte-americano de cessar-fogo está sob análise, mas que não há negociações. Mais tarde, Trump afirmou que o Irã havia permitido que dez petroleiros passassem pelo Estreito de Ormuz.
Com a guerra ainda sem um desfecho previsível, o petróleo tipo Brent voltou a subir, para perto dos US$107 o barril, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio.
No Brasil, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu o pico de 14,150% (+35 pontos-base) às 9h33, ainda na primeira hora de negócios. No mesmo horário, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima de 14,165% (-17 pontos-base).
Pela manhã, o mercado também acompanhou a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central, seguida de coletiva de imprensa do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e do diretor Paulo Picchetti.
O BC manteve sua projeção de alta de 1,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mesma taxa estimada em dezembro -- bem antes da guerra no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, indicou que a inflação passará a subir sob pressão do avanço do petróleo em função da guerra, que trouxe maior incerteza para o cenário.
Durante a coletiva, Galípolo disse que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia "gordura" para poder analisar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Entre profissionais do mercado ouvidos pela Reuters, a avaliação é de que, no cenário atual, o BC caminha para cortar a Selic em apenas 25 pontos-base em abril -- e não mais em 50 pontos-base, como os ativos vinham precificando anteriormente.
"O BC vai acelerar (os cortes da Selic) apenas em junho -- mas, claro, dependendo do cenário internacional", avaliou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.
Na B3, as opções de Copom precificavam na terça-feira -- dado mais recente -- 36,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic, 28,50% de chance de redução de 50 pontos-base e 22,00% de possibilidade de manutenção da taxa em 14,75%.Antes da guerra, os percentuais eram de 77,50% para corte de 50 pontos-base, 20,04% para redução de 25 pontos-base e zero para manutenção.
Na tarde desta quinta-feira, sem efeitos maiores para a curva, o Tesouro informou que a dívida pública federal cresceu 2,31% em fevereiro ante janeiro, para R$8,841 bilhões.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries também voltaram a subir nesta quinta-feira, com a continuidade dos conflitos no Oriente Médio.
Às 16h39, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 10 pontos-base, a 4,424%.
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