Dólar supera R$5,25 com continuação do conflito no Oriente Médio
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 24 Mar (Reuters) - Após a queda firme da véspera, o dólar voltou a subir no Brasil nesta terça-feira, para acima dos R$5,25, em um dia negativo para as moedas de países emergentes em meio à continuação do conflito no Oriente Médio.
No início da tarde, o Banco Central realizou uma operação cambial, aumentando a liquidez no mercado à vista, mas ainda assim a moeda norte-americana encerrou a sessão em alta.
O dólar à vista fechou com elevação de 0,25%, aos R$5,2549. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,26%.
Às 17h03, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,28% na B3, aos R$5,2610.
Na segunda-feira o dólar havia fechado com baixa superior a 1%, após o presidente dos EUA, Donald Trump, citar conversas com o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país.
Nesta terça-feira, porém, o cenário era diverso, com o Irã lançando mísseis contra Israel e voltando a negar qualquer negociação com os norte-americanos.
Com o Estreito de Ormuz ainda sob a mira do Irã, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários nos países. Os rendimentos dos Treasuries também subiam diante da perspectiva de juros mais altos nos EUA.
Já o dólar sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o peso mexicano e o peso chileno.
“O dólar voltou a operar em alta, refletindo a deterioração do ambiente de risco global diante da incerteza sobre a efetividade das negociações entre Estados Unidos e Irã”, resumiu à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“A ausência de sinais concretos de desescalada, combinada com declarações mais duras por parte de autoridades iranianas e a continuidade dos ataques na região, levou o mercado a reprecificar um cenário de conflito mais prolongado”, acrescentou.
No início da tarde, o BC vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), em operação que representou a injeção de recursos novos no mercado à vista, melhorando a liquidez. Ainda assim, o dólar se manteve em alta ante o real.
O dólar à vista marcou a cotação máxima intradia de R$5,2814 (+0,75%) às 9h38, ainda na primeira hora de negócios, e às 14h49, já após o leilão de linha.
Pela manhã, os agentes também se debruçaram sobre a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano.
No documento, o BC afirmou que "a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da Selic) serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises".
Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
Às 17h09, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,25%, a 99,424.
0 comentário
Dólar fica estável no Brasil com noticiário político, apesar de queda no exterior
Ibovespa fecha em alta, mas distante da máxima em dia com dados dos EUA sob holofote
Petróleo sobe com cobertura de posições antes de feriado nos EUA
Cooperativas de crédito superam R$ 1 trilhão em ativos
Reavaliar subsídio ao diesel exige cuidado e eliminação deve levar mais tempo, diz Moretti
Ações europeias fecham em máxima recorde após dados fracos de emprego dos EUA acalmarem temores de alta de juros