Dólar cai para R$5,2005 no Brasil seguindo o exterior
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 17 Mar (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira em baixa ante o real e novamente na faixa dos R$5,20, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, ainda que a guerra no Oriente Médio siga em curso, com o petróleo sendo negociado em alta.
O dólar à vista fechou a sessão com queda de 0,57%, aos R$5,2005, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
No ano, a divisa passou a registrar queda de 5,26%.
Às 17h39, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,78% na B3, aos R$5,2140.
Na segunda-feira o dólar já havia fechado em baixa firme ante o real, em meio ao alívio nos mercados globais com a possibilidade de avanços diplomáticos para desbloquear o Estreito de Ormuz, por onde são transportados cerca de 20% do petróleo mundial.
Nesta terça-feira, porém, o petróleo voltou a exibir ganhos, com o barril do tipo Brent sendo negociado acima dos US$103 em Londres no fim da tarde.
Enquanto Israel anunciou a morte do chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, as forças iranianas voltaram a atacar aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. A Reuters informou ainda que o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas para reduzir as tensões ou para um cessar-fogo com os EUA.
Apesar das preocupações em torno da guerra, o dólar cedeu ante boa parte das divisas de emergentes.
"O real é uma das moedas latinas que melhor tem resistido à turbulência que os mercados emergentes vêm enfrentando nas últimas semanas", disse pela manhã Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury, em comentário por escrito. "Como exportador de petróleo, o Brasil deve ser capaz de absorver melhor um eventual aumento da inflação decorrente do conflito no Oriente Médio."
O recuo do dólar ocorreu a despeito de no mercado de renda fixa o cenário ter se deteriorado durante a tarde, com as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) ganhando força em meio a especulações sobre possível greve dos caminhoneiros nos próximos dias.
As dúvidas sobre a decisão da noite de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre juros também permearam os negócios, com o mercado especulando entre um corte de 25 pontos-base da Selic ou a manutenção da taxa básica em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência está atualmente na faixa de 3,50% a 3,75% -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
Às 17h37, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,28%, a 99,577.
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