Fazenda mantém projeção para alta do PIB de 2026 em 2,3% e vê inflação levemente mais alta com conflito no Irã
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Por Bernardo Caram
BRASÍLIA, 13 Mar (Reuters) - A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve, nesta sexta-feira, sua projeção para o crescimento econômico em 2026 e previu uma inflação ligeiramente mais alta do que a projetada no mês passado, sob impacto de um conflito que espera ser temporário no Irã.
Relatório da SPE projetou a alta do PIB neste ano em 2,3%, mesmo nível estimado em fevereiro, mantendo previsão anterior de crescimento de 2,6% para a atividade em 2027.
A secretaria ainda estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 3,7%, contra 3,6% previstos antes.
“Destacam-se mudanças tanto na cotação do petróleo como na estimativa de câmbio médio para 2026... Essas mudanças alteraram as estimativas de inflação para 2026”, disse a SPE, ressaltando que a variação no preço do petróleo tem efeitos relevantes sobre a economia brasileira.
Para 2027, a previsão para o IPCA acumulado está em 3%, centro da meta contínua.
As projeções não levaram em conta o pacote de medidas anunciado na quinta-feira para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os preços do diesel. De acordo com o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, as iniciativas tendem a gerar um aumento "um pouco menor" da inflação, com efeito marginal sobre o PIB.
Na elaboração dos cálculos, a SPE disse ter considerado um cenário no qual o recente choque nos preços do petróleo é apenas temporário, pressupondo um arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio "nos próximos dias".
Nesse cenário base, a secretaria previu que a pressão inflacionária gerada pelo conflito será de 0,14 ponto percentual neste ano, com efeitos positivos de 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) e de US$2,5 bilhões na balança comercial, além de ganho de R$21,4 bilhões na receita líquida do governo.
O documento avaliou que o choque nos preços de petróleo estimula a atividade extrativa no Brasil e gera renda que se propaga para outros segmentos, mas ponderou que o estímulo ao maior crescimento é parcialmente compensado por mudanças nos juros do país em reação à maior inflação.
A SPE acrescentou que o desempenho da indústria brasileira no ano passado veio abaixo do esperado pela Fazenda, reduzindo o carregamento estatístico para o crescimento projetado em 2026, o que contribuiu para que a estimativa para o PIB fosse mantida.
De acordo com a SPE, alta nos preços do petróleo beneficia a arrecadação do governo central por meio do recolhimento de royalties, participações de petróleo e outros tributos.
A secretaria ainda simulou cenários de choque persistente, a partir de uma guerra mais duradoura e recuperação gradual da oferta de petróleo, e de choque disruptivo, com destruição estrutural de instalações produtivas e interrupções severas de logística.
Nesses cenários, quanto mais agudo o conflito, mais intensa seria a pressão inflacionária, com maiores ganhos para o PIB, a balança comercial e a arrecadação.
"A expectativa para 2026, mesmo diante do conflito, é de que o crescimento siga resiliente, que a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida", disse o documento.
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