Taxas dos DIs com prazos longos caem após pesquisa menos favorável a Lula
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 25 Fev (Reuters) - As taxas dos DIs de prazos longos fecharam a quarta-feira com leves baixas no Brasil, após nova pesquisa eleitoral mostrar um cenário menos favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto as taxas curtas terminaram com leves altas.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,545%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,515% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,31%, com queda de 3 pontos-base ante 13,34%.
No início da sessão, uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno da disputa presidencial.
No levantamento, Flávio tem 46,3% no segundo turno, contra 46,2% de Lula. Já Tarcísio soma 47,1%, contra 45,4% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto-percentual para mais e para menos, Lula está empatado tanto com Flávio quanto com Tarcísio, mas aparece numericamente atrás.
Este cenário menos favorável a Lula foi bem recebido pelo mercado, traduzindo-se na queda do dólar ante o real e no recuo das taxas longas dos DIs.
“Com o empate técnico, o mercado deu uma alongada nas posições. O pessoal (investidores) que estava aplicado no miolo da curva passou a apostar mais na parte longa”, comentou durante a tarde Guilherme Baran, gestor de renda fixa e multimercados da SulAmérica Investimentos.
Na prática, investidores ficaram menos aplicados em contratos como o janeiro 2028 e o janeiro 2029, elevando um pouco os prêmios neste trecho, e mais aplicados no janeiro 2035, cujas taxas cederam.
“Com o cenário de pesquisa mais acirrado, o mercado busca um pouco mais de risco na ponta longa”, resumiu Baran. “Mas achamos que ainda é muito cedo para operar pesquisa, e a gente não toma posição ainda, porque tem muito tempo até eleição.”
Às 9h07 -- logo após a abertura, já sob efeito da pesquisa -- a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima de 13,265%, em baixa de 8 pontos-base ante o ajuste da véspera. No mesmo horário, o dólar marcou a mínima intradia no Brasil, aos R$5,1188.
O movimento visto mais cedo ocorreu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries sustentarem altas, com os investidores à espera de uma forte onda de emissões governamentais e corporativas, o que provocou vendas antecipadas de títulos.
Ao longo da sessão, as taxas futuras recuperaram força em alguns momentos no Brasil, mas não o suficiente para evitarem a queda na ponta longa -- ainda que limitada.
Com efeitos menores na curva, o Tesouro informou antes da abertura da sessão que o governo central teve superávit primário de R$86,9 bilhões em janeiro, com queda real de 2,2% sobre o mesmo mês de 2025. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria superavitário em R$88,8 bilhões no mês.
Já o Banco Central informou que as concessões de crédito no Brasil caíram 18,9% em janeiro ante dezembro, com o estoque total de crédito recuando 0,2% no período, a R$7,116 trilhões.
À tarde, o Tesouro informou que a dívida pública federal apresentou relativa estabilidade em janeiro, com alta de 0,07% ante dezembro, para R$8,641 trilhões.
Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 2 pontos-base, a 4,05%.
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