Dólar cai ante o real em dia de ajustes após Trump baixar o tom sobre a China
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Após disparar mais de 2% na sessão anterior, o dólar passou por ajustes no Brasil nesta segunda-feira e encerrou o dia abaixo dos R$5,50, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliviou o discurso em relação à China.
A moeda norte-americana à vista fechou com baixa de 0,79%, aos R$5,4603. No ano, a divisa acumula queda de 11,63%.
Às 17h03, na B3 o dólar para novembro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 1,28%, aos R$5,4880.
Na sexta-feira, Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre os produtos comprados da China e a imposição de controles de exportação ao país asiático de softwares críticos, em mais um episódio da guerra comercial entre as duas nações. Um dia antes, a China já havia elevado o controle sobre a exportação de terras raras -- materiais essenciais para vários setores da indústria norte-americana.
No domingo, porém, Trump adotou um tom conciliador, dizendo que os EUA não querem prejudicar a China. Comentários do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante entrevista nesta segunda-feira reforçaram a mensagem de acomodação.
“Houve uma desescalada significativa da situação", disse Bessent. "O presidente Trump disse que as tarifas não entrarão em vigor até 1º de novembro. Ele se reunirá com o presidente do partido, Xi (Jinping), na Coreia. Acredito que essa reunião ainda será realizada", disse Bessent.
Em reação, os investidores foram em busca de ativos de maior risco, como ações e moedas de países emergentes, entre elas o real, o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno.
O dólar à vista marcou a menor cotação da sessão, de R$5,4426 (-1,11%), às 14h46. Ainda assim, a divisa esteve longe de devolver todo o avanço visto na sexta-feira, após Trump ameaçar a China.
“A combinação de bolsas em alta, valorização de moedas emergentes e recuperação das commodities -- especialmente petróleo e minério de ferro -- favorece o real. O principal impulso vem do tom mais brando de Donald Trump em relação à China, após recuar da ameaça de impor tarifas de 100%, o que reduziu as tensões comerciais”, resumiu Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
O feriado do Dia de Colombo nos Estados Unidos, que manteve o mercado de Treasuries fechado, limitou a liquidez global. No fim da tarde, às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,25%, a 99,297, afetado pela queda do euro.
Pela manhã o Banco Central realizou dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) simultâneos, para rolagem do vencimento de 4 de novembro. Foram vendidos US$1 bilhão nas operações.
Além disso, o BC vendeu 40.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.
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