Taxas dos DIs caem com inflação abaixo do esperado, mas mercado monitora Brasília
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) recuavam nesta quinta-feira, refletindo a divulgação de dados favoráveis sobre a inflação brasileira em setembro, enquanto o mercado seguia monitorando os desdobramentos do arquivamento da medida provisória sobre taxação de aplicações financeiras, no Congresso.
Às 12h06, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,04%, em baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 14,101% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,73%, em queda de 3 pontos-base ante o ajuste de 13,755%.
Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,48% em setembro, abaixo do 0,52% projetado por economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses até setembro a inflação atingiu 5,17%, ante projeção de 5,22%.
Além do resultado cheio abaixo do esperado, a abertura do indicador trouxe uma série de dados favoráveis, reforçando a ideia de que a política monetária do Banco Central está no caminho certo.
A inflação de serviços foi de 0,13% em setembro, abaixo do 0,39% de agosto, enquanto a taxa de aumento dos bens industriais foi de 0,05% no mês passado, contra 0,17% um mês antes, conforme cálculos do banco Bmg. A média dos núcleos de inflação subiu 0,19% em setembro, ante 0,30% em agosto, conforme o Bmg.
Em reação, as taxas dos DIs cederam desde o início da sessão, ainda que no exterior os rendimentos dos Treasuries se mantivessem com leves ganhos.
Durante a manhã, em evento em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton José David, reiterou a mensagem de manutenção da taxa básica Selic em 15% por um período prolongado, para reconduzir a inflação à meta. Ao mesmo tempo, ele afirmou que a instituição não terá "nenhum problema" em subir novamente a Selic se necessário.
Ainda que o IPCA tenha motivado a redução de prêmios na curva nesta quinta-feira, os investidores se mantinham atentos à Brasília. Isso porque a Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira um requerimento que retirou de pauta a MP 1303, que tratava da taxação de aplicações, o que levou à perda de validade da principal proposta de ajuste das contas do Executivo para o próximo ano.
Na prática, o texto foi rejeitado sem sequer ter tido seu mérito analisado. A MP caducaria se não fosse aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado até o fim do dia.
Em entrevista à rádio Piatã, da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou antes da abertura dos mercados que discutirá na próxima semana como o sistema financeiro, especialmente as fintechs, pode pagar o imposto devido, após a queda da MP.
Na chegada ao Ministério da Fazenda na manhã desta quinta-feira, o ministro Fernando Haddad afirmou que o governo fará valer a orientação de Lula. "Ele não vai abrir mão do fiscal, mas não vai abrir mão do social", disse. O ministro afirmou que apresentará a Lula várias alternativas à MP.
Ao mesmo tempo, Haddad pontuou que o Supremo Tribunal Federal garantiu "prerrogativas do presidente". "Isso nos dá conforto para chegar até o final do ano", afirmou, sem entrar em detalhes.
Em 16 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu liminar que retomava a vigência da maior parte de um decreto de Lula que elevava alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre uma série de operações. A validade deste decreto era motivo de disputa entre governo e Congresso no Supremo. Posteriormente, o governo negociou com o Congresso a MP 1303 -- agora arquivada -- justamente para substituir o aumento do IOF.
No exterior, às 12h06 o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 1 ponto-base, a 4,14%.
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