Dólar sobe ante o real impactado por exterior e receio com o fiscal
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar fechou a quinta-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana no exterior após a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos.
Uma piora na avaliação do risco fiscal do Brasil -- que impactou diretamente o mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros) -- também deu impulso ao dólar ante o real durante a sessão.
O dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,23%, aos R$5,3400. No ano, a divisa acumula queda de 13,58%.
Às 17h03 na B3 o dólar para novembro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- subia 0,20%, aos R$5,3790.
A moeda norte-americana chegou a ceder ante o real no início do dia, após a aprovação pela Câmara, na véspera, da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil por mês, com desconto para quem recebe até R$7.350.
Ainda que a estimativa seja de que a mudança gere uma perda de arrecadação de R$25,8 bilhões, o texto prevê a compensação com aumento da taxação de quem ganha acima de R$50 mil por mês. A proposta vai agora ao Senado.
Enquanto a moeda norte-americana também cedia no exterior, o dólar à vista marcou a cotação mínima intradia de R$5,3080 às 9h13, logo após a abertura.
Mas a divulgação de um novo dado de emprego nos EUA deu força à moeda norte-americana no Brasil e no exterior. Um indicador calculado pelo Federal Reserve de Chicago mostrou no meio da manhã que a taxa de desemprego nos EUA provavelmente foi de 4,3% em setembro, igual ao verificado em agosto.
Como a divulgação do relatório payroll, prevista para sexta-feira, pode não ocorrer em razão da paralisação do governo dos EUA, os investidores se apegaram ao dado do Fed de Chicago.
O impulso para o dólar se intensificou no Brasil no fim da manhã, em meio a uma piora da percepção sobre a situação fiscal brasileira. Circularam pelas mesas de operadores rumores de que o governo Lula estaria estudando a possibilidade de um programa federal para implementar tarifa zero em transporte coletivo de passageiros em todo o Brasil.
O receio de que iniciativas como essa possam se multiplicar com a proximidade do ano eleitoral, gerando mais gastos para o governo, deu força às taxas dos DIs e ao dólar, pesando sobre o Ibovespa.
Às 12h30, na máxima do dia, o dólar à vista foi cotado em R$5,3739 (+0,86%). Perto deste horário as taxas dos DIs também marcaram os picos do dia.
Passado estresse, o dólar perdeu força ante o real, mas ainda assim se manteve em alta até o fechamento, em sintonia com o avanço no exterior.
Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,11%, a 97,832.
(Edição de Pedro Fonseca)
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