Taxas dos DIs sobem com receio de novas medidas comerciais dos EUA contra o Brasil
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em alta, reagindo à operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que elevou no mercado o receio de novas medidas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil, enquanto no exterior o dia foi de queda nos rendimentos dos Treasuries.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,385%, ante o ajuste de 14,341% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2028 marcava 13,74%, ante o ajuste de 13,689%.
Entre os contratos longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 13,85%, ante 13,781% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 13,92%, ante 13,857%.
Logo no início do dia a notícia da operação da PF contra Bolsonaro concentrou as atenções do mercado. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes impôs a Bolsonaro o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de usar as redes sociais e o recolhimento domiciliar entre 19h e 6h de segunda a sexta e em tempo integral nos fins de semana e feriados.
Além disso, proibiu o ex-presidente de manter contato com embaixadas de outros países e de se comunicar com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho. Eduardo tem sido o principal defensor, nos EUA, das medidas de Trump contra o Brasil, como a imposição de tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
A decisão de Moraes -- já referendada nesta sexta pela maioria da Primeira Turma do Supremo -- surgiu um dia após Trump voltar a vincular a adoção da tarifa ao julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
No mercado, o receio de que Trump possa retaliar o Brasil, ampliando seus ataques comerciais, deu força ao dólar ante o real e às taxas dos DIs.
“O que estamos vendo agora é a possibilidade de escalada do conflito. Até tivemos uma sinalização dos EUA de que poderia haver uma abertura para negociação com o Brasil, a partir da investigação de práticas comerciais brasileiras, mas Trump insistiu em puxar de novo para o centro do debate a questão do Bolsonaro”, comentou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. “Ninguém sabe o que a Casa Branca vai fazer.”
Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028, um dos mais líquidos, marcou a máxima de 13,800% às 13h19, em alta de 11 pontos-base ante o ajuste da véspera.
Além do medo da retaliação de Trump, os ativos no Brasil eram penalizados pela avaliação de que a direita está se enfraquecendo politicamente -- incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, até agora o nome preferido na Faria Lima, mas que está com dificuldades para conciliar em seu discurso a defesa de Bolsonaro e as tarifas de Trump.
“Lula é o candidato mais competitivo da esquerda para a disputa presidencial de 2026, enquanto a direita tem rachado. Isso cria sintomas de aversão ao risco”, comentou Spiess.
“O candidato da direita que viria a ser mais competitivo é Tarcísio. O problema é que a direita está se dividindo numa ala mais radical que se recusa a entregar os espólios de Bolsonaro para Tarcísio.”
Em entrevista exclusiva à Reuters nesta sexta-feira, Bolsonaro disse não ter dúvidas de que será condenado pelo STF e preso no processo em que é réu por tentativa de golpe de Estado.
Em meio às dúvidas sobre o impacto da guerra tarifária no câmbio, na atividade e na inflação do Brasil, perto do fechamento a curva brasileira seguia apontando para manutenção da taxa básica Selic em 15% ao ano no fim deste mês: a precificação neste sentido era de 99%.
Na quinta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 91,99% de chances de manutenção da Selic, contra 6,00% de probabilidade de nova alta de 25 pontos-base este mês.
O avanço das taxas no Brasil ocorreu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries estarem em queda, após o diretor do Federal Reserve Christopher Waller defender corte de juros nos EUA já este mês. Às 16h35 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,43%.
0 comentário
Dólar mostra estabilidade no Brasil após EUA rejeitarem acordo com Irã sobre guerra
Trump diz que imposto federal sobre gasolina será reduzido "até que seja apropriado"
Elon Musk, Cook, da Apple, e CEO da Boeing vão à China com Trump, diz autoridade
Ações europeias têm pouca variação enquanto mercados avaliam impasse entre EUA e Irã
Trump diz que cessar-fogo com Irã "respira por aparelhos" após rejeitar resposta de Teerã
Wall St faz pausa após rali recorde com estagnação das negociações entre EUA e Irã