China eleva alcance diplomático enquanto EUA reduzem presença, diz relatório
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Por Patricia Zengerle
WASHINGTON (Reuters) - A China está aumentando seu alcance diplomático, enquanto o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduz a presença internacional do país, disseram democratas do Comitê de Relações Exteriores do Senado norte-americano em um relatório divulgado nesta segunda-feira.
O relatório, resultado de meses de viagens e pesquisas da equipe, foi divulgado no momento em que o governo Trump faz cortes profundos no Departamento de Estado, incluindo a demissão de mais de 1.350 funcionários nos EUA a partir da última sexta-feira, parte de uma redução total de quase 3.000 pessoas na força de trabalho.
O governo também cortou bilhões de dólares em ajuda externa, efetivamente fechando a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que financiava a maior parte da assistência humanitária e de desenvolvimento do país em todo o mundo. Isso levou à demissão de milhares de trabalhadores e ao corte de mais de 80% dos programas.
Críticos afirmaram que os cortes prejudicarão a capacidade de Washington de defender e promover os interesses dos EUA no exterior. Uma pesquisa publicada na revista médica The Lancet afirmou que os cortes na USAID e seu desmantelamento poderiam resultar em mais de 14 milhões de mortes adicionais até 2030.
"Poucos dias após o governo Trump assumir o poder e começar a reverter nossos compromissos ao redor do mundo, a China já estava rotulando os Estados Unidos como um parceiro não confiável", disse a senadora Jeanne Shaheen, democrata de alto escalão do comitê, a repórteres em uma teleconferência sobre o relatório.
"Num momento em que estamos recuando, eles estão expandindo sua presença", disse.
O governo Trump diz que as mudanças ajudam a alinhar a política externa com a agenda "America First" (América em primeiro lugar) de Trump e são parte de um esforço para reduzir a burocracia federal e cortar o que as autoridades dizem ser gastos desnecessários.
Trump disse que os EUA pagam desproporcionalmente pela ajuda externa e quer que outros países arquem com uma parte maior do fardo.
O relatório de 91 páginas dos democratas listou maneiras pelas quais a China está expandindo sua influência.
Ele lista dezenas de casos em que os pesquisadores do comitê descobriram que a China interveio, enquanto os EUA eliminavam ou reduziam programas internacionais, do financiamento de vacinas e fornecimento de alimentos até o desenvolvimento de infraestrutura.
Na África, por exemplo, quando os EUA encerraram seus programas de assistência alimentar, a China doou US$2 milhões em arroz para Uganda em março. Em maio, após os EUA encerrarem uma doação de US$37 milhões para HIV/AIDS na Zâmbia, a China afirmou que ajudaria o país africano a combater o HIV/AIDS, inclusive doando 500.000 kits de teste rápido de HIV e planejando mais reuniões para discutir sua parceria contínua sobre o assunto.
No Sudeste Asiático, o presidente chinês Xi Jinping embarcou em uma viagem para se encontrar com líderes do Vietnã, do Camboja e da Malásia, segundo o relatório. A viagem resultou em um acordo no Vietnã para conexões ferroviárias, 37 acordos de cooperação no Camboja em setores como energia, educação e infraestrutura, e intercâmbios técnicos e de manufatura na Malásia.
Na América Latina, a China sediou em maio o "Fórum China-América Latina e Caribe" e anunciou que forneceria uma linha de crédito de US$9 bilhões, além de investimentos adicionais em infraestrutura para a região.
(Reportagem de Patricia Zengerle)
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