Juros futuros curtos caem e longos sobem após IBC-Br pior que o esperado
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - A divulgação do índice de atividade econômica IBC-Br abaixo do esperado em maio abriu espaço para a queda das taxas dos DIs curtos nesta segunda-feira, em meio à leitura de que a economia caminha para uma desaceleração mais clara nos próximos meses.
A queda das taxas curtas favoreceu o acréscimo de prêmios na ponta longa da curva, ainda que no exterior o dia tenha sido de relativa estabilidade nos rendimentos dos Treasuries.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,29%, em baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 14,329% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2028 marcava 13,58%, ante o ajuste de 13,604%.
Entre os contratos longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 13,64%, ante 13,593% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 13,73%, em alta de 8 pontos-base ante 13,646%.
Pela manhã, o Banco Central informou que seu índice de atividade IBC-Br, considerado um sinalizador para o Produto Interno Bruto (PIB), cedeu 0,7% em maio na comparação com o mês anterior, em dado dessazonalizado. A leitura foi bem pior do que a expectativa em pesquisa da Reuters com economistas, que esperavam estabilidade.
O número, conforme Rafael Perez, economista da Suno Research, sugere um crescimento mais moderado no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano.
“Com o esgotamento do impulso do agro, os efeitos da política monetária devem se tornar mais visíveis sobre a economia, tornando a desaceleração mais evidente nos próximos meses”, escreveu Perez em análise sobre o IBC-Br.
Neste cenário, as taxas dos DIs de curto prazo recuaram durante a maior parte da sessão, com investidores vendo chances maiores de corte de juros ainda em 2025 ou no início de 2026. A taxa do DI para janeiro de 2027, por exemplo, atingiu a mínima de 14,255% às 10h56, em baixa de 7 pontos-base ante o ajuste da sexta-feira.
O recuo deu força às taxas na ponta longa, em um movimento de inclinação da curva.
Durante a tarde, porém, com o fortalecimento do dólar ante o real, as taxas curtas reduziram as perdas, numa sessão de liquidez menor.
Perto do fechamento desta segunda-feira, a curva brasileira precificava 98% de chances de manutenção da taxa básica Selic em 15% no encontro do fim deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Na sexta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 89,00% de chances de manutenção da Selic, contra 6,65% de probabilidade de nova alta de 25 pontos-base este mês.
No exterior, os investidores seguiram operando tendo como principal guia a guerra comercial desencadeada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Depois de anunciar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, Trump ameaçou a União Europeia e o México com uma cobrança de 30%.
Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 0 pontos-base, a 4,425%.
(Edição de Pedro Fonseca)
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