Lula convoca ministros ao Alvorada para discutir reação a tarifas de Trump
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Por Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quinta-feira uma reunião no Palácio da Alvorada para discutir a resposta do Brasil ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar as importações brasileiras em 50%.
O governo brasileiro também decidiu criar, segundo a Casa Civil, um grupo de estudos para definir qual será a reação a ser adotada ante a imposição das tarifas, que devem entrar em vigor a partir de 1º de agosto.
Segundo duas fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela Reuters, o governo está calibrando a reação que vai adotar e a tendência é que não deve agir prontamente. Uma delas relatou que houve uma resposta imediata dada na quarta-feira à noite por Lula em nota oficial em que aventou a possibilidade de usar a Lei da Reciprocidade, mas agora entra em estudo o debate da via diplomática para verificar a efetividade e abrangência da medida anunciada.
Ao anunciar as tarifas de 50% na quarta-feira, Trump alegou medidas judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) que ele considera injustas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por tentativa de golpe de Estado, e as "big techs" norte-americanas.
Lula respondeu em nota oficial afirmando que qualquer medida unilateral de elevação de tarifas contra o Brasil será respondida com reciprocidade, e destacou que o Brasil é um "país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém".
De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, uma das medidas em estudo dentro do governo para responder ao anúncio de Trump é o fim das patentes de medicamentos norte-americanos, assim como outras ações na área de propriedade intelectual.
A CNN Brasil também citou a possibilidade de medidas na área de propriedade intelectual, assim como a taxação de remessas de dividendos por multinacionais norte-americanas instaladas no Brasil. A emissora disse ainda que o governo também avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na primeira leva de tarifas em abril contra diversos países, Trump havia imposto ao Brasil uma sobretaxa de 10%, fato que foi comemorado pelo país ante as elevações bem maiores determinadas pelo presidente dos EUA a outros países.
(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Eduardo Simões e Pedro Fonseca)
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