Tarifas de Trump sobre aço e alumínio devem ter impacto reduzido em PIB do Brasil, vê Ipea
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Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A cobrança da tarifa de 25% sobre a importação de aço e alumínio que começou a ser aplicada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira deve ter um impacto de 0,01% no PIB do Brasil, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A tarifa também reduzirá exportações brasileiras em 0,03%, de acordo com as estimativas do Ipea.
Mas o estudo aponta para um impacto expressivo sobre o segmento de Metais Ferrosos no Brasil, com queda de produção de 2,19% e redução de 11,27% das exportações.
A tarifa norte americana traria, de acordo com cálculos do Ipea, uma perda de exportação equivalente a US$1,5 bilhão e de 1,6 milhão de toneladas.
“Considerando que quase toda a redução se dará nas vendas para os Estados Unidos, as exportações para este país teriam queda de 36,2%. Em termos macroeconômicos, o impacto no Brasil seria insignificante, de queda de 0,01% do PIB e de 0,03% das exportações totais”, diz o estudo do Ipea.
A taxa de importação norte-americana afetará diretamente mais de 10% do faturamento do setor siderúrgico no Brasil. “E a dependência deste mercado é ainda maior no caso dos produtos semiacabados (placas e lingotes), visto que cerca de 90% das vendas brasileiras para os EUA concentram-se nesses produtos”, destaca o documento.
Em seu primeiro governo, o presidente dos EUA, Donald Trump, também adotou medidas para taxar aço importado de outros países, mas o Brasil conseguiu após negociações entrar em um regime de cotas de exportação.
Em entrevista á Reuters, o presidente do Instituto Aço Brasil, que representa empresas como Gerdau e Usiminas, Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que espera que um novo regime especial, como o de cotas que estava em, vigor desde 2018, seja adotado para o Brasil.
O executivo argumenta que as siderúrgicas brasileiras exportam em sua maioria placas de aço que são laminadas e beneficiadas por usinas no mercado norte-americano.
"A gente continua com a expectativa já que os canais foram abertos em nível muito alto entre os dois governos para a gente tentar reestabelecer o acordo do regime de cotas", disse o presidente do Aço Brasil.
"Mostramos que nossa exportação para eles é complementar; são placas de aço que vão ser laminadas pela própria indústria norte-americana. O Brasil exporta para indústria dele, ou seja, tudo leva a crer que a gente vai reestabelecer o acordo de cotas“, adicionou Lopes.
O executivo tem feito reuniões com integrantes do govenro federal, entre eles o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar da tarifação dos EUA e para chamar atenção para outras preocupações que podem vir a reboque das medidas do governo Trump.
Lopes alertou que a proteção norte-americana vai afetar outros exportadores de aço, especialmente a China, que tentará cada vez mais buscar novos mercados para colocar seus produtos siderúrgicos.
"A realidade é essa e o governo brasileiro está ciente e entende a nossa situação", afirmou o presidente do Aço Brasil.
O levantamento do Ipea também tratou dos impactos da nova tarifa na economia dos EUA. A estimativa é que as importações de Metais Ferrosos terão queda de 39,2%, enquanto a produção doméstica terá aumento de 8,95%.
"Mas haverá efeitos relevantes sobre outros setores, por exemplo, com queda de produção de máquinas e equipamentos, produtos de metal, equipamentos elétricos e veículos e peças, como reflexo do aumento de custo gerado pelas tarifas", afirma o Ipea.
"Também as exportações destes setores serão prejudicadas. Entre os demais países, Canadá e México serão os mais afetados, com redução das exportações de metais ferrosos de, respectivamente, 31,4% e 21,3%, e quedas da produção doméstica de 13,8% e 6,2%”, complementa o documento
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