Oposição venezuelana busca estreitar caminhos para chegar ao poder
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Por Vivian Sequera e Mayela Armas
CARACAS (Reuters) - A oposição venezuelana, que afirma que ela - e não o presidente Nicolás Maduro - venceu a eleição presidencial de domingo, está se esforçando para encontrar um caminho para o poder, apesar dos obstáculos significativos.
Os líderes da oposição dizem que têm acesso a cerca de 90% das apurações de votos - que, por lei, devem ser entregues a testemunhas durante a contagem dos votos - e as impressões dessas apurações mostram que seu candidato Edmundo González obteve mais do que o dobro de votos de Maduro.
Mas Maduro declarou vitória e denunciou os protestos resultantes em todo o país como uma tentativa de golpe. O conselho eleitoral - que, segundo a oposição, é aliado do presidente - apoiou sua reivindicação, mas não forneceu um detalhamento completo dos votos.
Duas fontes da oposição, que pediram para permanecer anônimas, disseram que, por enquanto, seu foco é pressionar o governo a divulgar todos os resultados. Elas não disseram como fariam isso.
Outros caminhos da oposição para o poder podem incluir uma solução negociada ou a esperança de que os protestos aumentem a pressão estrangeira sobre o governo.
Todos esses esforços enfrentam grandes dificuldades, segundo os analistas.
"Os desafios são significativos", disse Oswaldo Ramirez, da empresa ORC Consultores, de Caracas. "A oposição precisa mostrar que tem as contagens e enviá-las a outros países como prova."
Mesmo que conseguisse isso, não está claro o que seria alcançado. Há anos, Maduro tem se esquivado da desaprovação e das sanções ocidentais e conta com o apoio de China, Rússia, Cuba e outras nações alinhadas contra os Estados Unidos.
Ondas de protestos contra o governo em 2014, 2017 e 2019 causaram centenas de mortes e não conseguiram destituir Maduro.
Desde segunda-feira, protestos em todo o país resultaram em pelo menos 11 mortes. O governo disse que dois membros das forças de segurança também morreram.
Testemunhas da Reuters em várias cidades viram confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes da oposição, bem como ataques a manifestantes por motociclistas aliados do partido governista.
Alguns membros da oposição esperam que as marchas generalizadas possam testar a lealdade das Forças Armadas e da polícia do país - embora ambas tenham se mostrado leais a Maduro no passado.
María Corina Machado, que foi proibida de concorrer mas que liderou a campanha da oposição, e González pediram que os militares defendessem os resultados.
Mas o general Vladimir Padrino - ministro da Defesa de Maduro, que é o único militar sênior a falar publicamente - também chamou os protestos de tentativa de golpe e jurou "derrotá-los".
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