Alta da inflação e de diferenças cambiais reacendem debate sobre desvalorização do peso argentino
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Por Jorge Otaola
BUENOS AIRES (Reuters) - A taxa de inflação de 211% da Argentina e o retorno de uma diferença cada vez maior entre as taxas de câmbio oficiais e paralelas estão alimentando expectativas de outra desvalorização do peso, pouco mais de um mês depois que seu valor em dólares foi reduzido pela metade.
O peso argentino vem caindo desde a virada do ano no mercado paralelo mais popular e em outros, que há anos divergem acentuadamente da taxa oficial, que é sustentada por rígidos controles de capital.
O dólar custa mais de 1.200 pesos nos mercados paralelos, contra cerca de 820 na taxa de câmbio oficial. Isso representa uma diferença de quase 50%, que dobrou nas últimas semanas, depois de ter se reduzido bastante em dezembro, quando o governo desvalorizou o peso em mais de 50%.
Esse aumento está estimulando as expectativas do mercado de que o governo do liberal Javier Milei poderá voltar a desvalorizar o peso em breve, especialmente com a inflação mensal acima de 25% em dezembro, bem acima da depreciação gradual mensal de 2% que desvaloriza o peso.
Pablo Besmedrisnik, diretor da empresa de consultoria Invenómica, afirmou que faria mais sentido desvalorizar o peso antes do principal período de colheita de soja e milho, em março e abril, caso contrário, as expectativas de uma depreciação incentivariam os produtores a adiar as exportações, prejudicando os cofres do país.
Um porta-voz do banco central não quis comentar
A Argentina tem uma infinidade de taxas de câmbio paralelas, populares porque o acesso ao mercado oficial é estritamente limitado. A taxa "CCL" enfraqueceu 20% este ano, a taxa "blue" do mercado paralelo perdeu 17%, enquanto a taxa oficial caiu apenas 1,3%.
"Na minha opinião, eles precisam sair da armadilha da taxa de câmbio o mais rápido possível e ter um verdadeiro mercado de câmbio único e livre, ou bem, dolarizar", disse Agustín Etchebarne, diretor da Freedom and Progress Foundation, referindo-se a um plano de longo prazo apresentado por Milei para adotar o dólar.
"Está claro que a desvalorização mensal de 2% com uma inflação muito mais alta não é sustentável.
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