Dólar cai pelo 3º dia sob influência de inflação ao produtor dos EUA
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista emplacou nesta sexta-feira a terceira sessão consecutiva de baixa no Brasil, com as cotações voltando para a faixa de 4,85 reais em reação aos novos dados de inflação dos EUA, que elevaram as apostas de que o Federal Reserve começará a cortar juros já em março.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8567 reais na venda, em baixa de 0,39%. Nas últimas três sessões, a divisa recuou 1,02%. Na semana, a perda acumulada foi de 0,31%.
Na B3, às 17:17 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,32%, a 4,8670 reais.
O dólar à vista oscilou no território negativo durante praticamente toda a sessão. Às 9h13, pouco depois da abertura dos negócios, a divisa chegou a marcar a cotação máxima de 4,8796 reais (+0,08%), mas rapidamente a tendência de baixa passou a prevalecer.
A divulgação de novos dados de inflação nos EUA, às 10h30, pressionou o dólar ao redor do mundo.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) para a demanda final caiu 0,1% no mês passado. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,1%. Nos 12 meses até dezembro, o PPI aumentou 1,0%, depois de avançar 0,8% em novembro.
O resultado disparou a queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio à percepção de que a perda de força dos preços ao produtor chegará à ponta final -- o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) -- em alguns meses, favorecendo o início do processo de corte de juros pelo Fed.
A baixa dos yields dos Treasuries pesou sobre o dólar e, no Brasil, fez a moeda norte-americana renovar mínimas em relação ao real. Às 11h45, o dólar à vista marcou a mínima de 4,8314 reais (-0,90%). Posteriormente, a moeda retornou para a faixa de 4,85 reais.
Por trás da baixa do dólar ante o real estava a leitura de que, mesmo que o Banco Central esteja em um ciclo de cortes da taxa básica Selic, o Fed também cortará suas taxas este ano, o que mantém o diferencial de juros ainda favorável ao recebimento de recursos pelo Brasil.
“Para curto prazo, entre 4,85 e 4,90 reais nos parece bom para comprar (dólares). A perda definitiva dos 4,85 reais deve ativar queda mais profunda”, alertou pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em comentário enviado a clientes.
Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial negativo de 2,062 bilhões de dólares na semana passada, correspondente à primeira semana de janeiro.
Ainda que o resultado tenha sido negativo, profissionais ouvidos pela Reuters têm repetido que as contas externas não preocupam e que o Brasil deve continuar a receber dólares do exterior em 2024, o que favorece taxas de câmbio mais baixas. Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de março.
Às 17:17 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,20%, a 102,410.
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