Taxas futuras de juros despencam no Brasil após dados favoráveis de inflação nos EUA
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam em baixa firme nesta terça-feira, de mais de 20 pontos-base em alguns vencimentos, acompanhando o recuo dos rendimentos dos títulos dos EUA após a divulgação de números favoráveis da inflação norte-americana, que reduziram a expectativa de que o Federal Reserve elevará mais os juros.
Pela manhã, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) já oscilavam no território negativo, mas o movimento se intensificou após a divulgação de dados de inflação nos EUA, às 10h30.
O Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) ficou estável no mês passado e acumulou alta de 3,2% nos 12 meses até outubro, após elevações de 0,4% em setembro e de 3,7% nos 12 meses até setembro. Economistas consultados pela Reuters projetavam altas de 0,1% no mês e de 3,3% na base anual.
“O CPI foi bom e está derrubando a curva (brasileira), em todos os vencimentos”, comentou Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos. “No momento da divulgação do CPI, a bolsa explodiu e os (rendimentos dos) DIs foram para uma queda maior. Houve uma euforia no mercado, que agora (período da tarde) passou por certa correção.”
Por trás do movimento está a leitura de que o Fed tende a não promover novos aumentos de juros no curto prazo.
“Os dados do CPI de outubro, marginalmente abaixo das expectativas de mercado, devem reforçar as expectativas de que o Fomc (Comitê de Política Monetária dos EUA) vai manter a taxa de juros no nível atual (entre 5.25% e 5.5%) e encerrar o ciclo de alta”, pontuou Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, em comentário enviado a clientes.
“A meu ver ainda teremos volatilidade nos mercados, mas a discussão relevante agora é por quanto tempo a política monetária terá que ficar no campo restritivo”, acrescentou.
No Brasil, além dos dados do CPI, contribuíram para o fechamento da curva a termo os números do setor de serviços divulgados pela manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O volume de serviços caiu 0,3% em setembro na comparação com agosto e teve queda de 1,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados de setembro foram bem piores que as expectativas de economistas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,3% na base mensal e de 0,5% na anual.
“A curva teve o efeito do CPI, mas também do dólar fraco por aqui e dos dados de serviços. Isso consolidou a queda das taxas futuras”, comentou o gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie Machado.
Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,545%, ante 10,727% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,275%, ante 10,498% do ajuste anterior.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,415%, ante 10,63%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,645%, ante 10,838%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 11,02%, ante 11,188%.
Perto do fechamento a curva a termo precificava em 96% as chances de o corte da taxa básica Selic em dezembro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o Banco Central. Já as chances de corte de apenas 0,25 ponto percentual eram precificadas em 4%. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.
Às 16:36 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 17,90 pontos-base, a 4,4531%.
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