Mello avalia que aumentaram as chances de inflação fechar 2023 dentro da banda da meta
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Por Bernardo Caram
BRASÍLIA (Reuters) - Projeções mostram aumento expressivo da chance de a inflação fechar 2023 dentro da banda de tolerância da meta neste ano, disse nesta quarta-feira o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, reforçando a pressão para que o Banco Central corte a taxa básica de juros.
"Temos, a nosso ver, condições colocadas há algum tempo (...) para um processo vigoroso, um processo sustentado de redução da taxa básica de juros", disse.
Em entrevista para comentar projeções do governo para indicadores econômicos, Mello destacou que a taxa de câmbio no Brasil teve expressiva valorização, o que colabora significativamente para queda da inflação, e que o cenário externo também apresenta fatores desinflacionários.
Em seu Relatório Macrofiscal apresentado nesta quarta-feira, a Secretaria de Política Econômica (SPE) reduziu sua estimativa para a alta do IPCA a 4,85% em 2023, contra 5,58% da projeção anterior. Para 2024, o patamar foi estimado em 3,30% -- estava em 3,63% antes.
A meta para o IPCA é de 3,25% para este ano e 3% para 2024, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual nos dois casos.
Na entrevista, Mello argumentou que o elevado nível de juros é um dos fatores mais importantes para explicar a trajetória do endividamento público, enfatizando que uma redução da Selic terá efeito positivo sobre dados fiscais, econômicos e sociais.
Segundo ele, o governo federal deve gastar neste ano 680 bilhões de reais em pagamento de juros da dívida pública, cifra maior do que os desembolsos feitos a ministérios de grande porte, como os que cuidam de Saúde e Educação.
"É importante que o Brasil se aproxime o quanto antes de um padrão minimamente comparável a seus pares (no nível de juros)", afirmou.
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