Dólar segue exterior e sobe ante real com impasse da dívida dos EUA
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar tinha alta frente ao real na manhã desta quarta-feira, com investidores monitorando as negociações para elevar o teto da dívida dos Estados Unidos enquanto acompanham a tramitação do arcabouço fiscal no Congresso brasileiro.
Às 9:46 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,55%, a 4,9691 reais na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,53%, a 4,9815 reais.
Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9419 reais na venda, com alta de 1,08%.
"As incertezas em torno da dívida pública norte-americana seguem pesando sobre os negócios nesta quarta-feira", disse o departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco em relatório.
A Casa Branca informou mais cedo que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, continuará a conversar com os líderes do Congresso sobre o limite da dívida no final desta semana e se reunirá com eles novamente ao voltar de uma viagem para participar da cúpula do G7.
Na véspera, o principal parlamentar republicano do Congresso dos EUA, Kevin McCarthy, disse que é possível chegar a um acordo até o final da semana, mas a cautela permanece com o medo de uma iminente inadimplência na maior economia do mundo.
Nesta manhã, o índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes subia cerca de 0,4%, reflexo da aversão a risco.
Enquanto isso, na cena local, investidores digeriam comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que disse que a abordagem proativa da política monetária foi oportuna e tem dado resultado, mas o processo está agora em uma fase em que a desinflação é mais lenta em meio a questionamentos sobre possível mudança nas metas de inflação e incertezas fiscais.
Os comentários vêm em meio a amplas expectativas no mercado em torno da aprovação do novo arcabouço fiscal. Durante sessão desta quarta-feira, a Câmara deve votar urgência para a tramitação da proposta, que busca impedir que os gastos do governo subam mais do que a arrecadação.
O relator da proposta da nova regra fiscal, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), afirmou na terça-feira que a proposta prevê sanções administrativas ao presidente da República em caso de descumprimento da meta por parte do governo federal e que a política de valorização do salário mínimo e os recursos para o programa Bolsa Família estarão excepcionalizados da nova regra.
"Em geral, as mudanças apresentadas trouxeram algum reforço para o cumprimento das regras, porém com certa flexibilização para o crescimento das despesas no curto prazo", avaliou o Bradesco.
O arcabouço deve ser votado na Câmara no dia 24 de maio, na quarta-feira da semana que vem.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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