Lula recebe proposta de arcabouço de Haddad e diz que anúncio deve ser antes de viagem à China
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Por Lisandra Paraguassu e Victor Borges
BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que ainda não viu a proposta de arcabouço fiscal preparada pela equipe econômica, mas deve conversar na quinta-feira sobre o tema com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e quer ter o projeto definido antes da viagem para a China na semana que vem.
"Eu ainda não vi (o arcabouço). Eu tive uma primeira conversa com Haddad, ele ficou de aprontar. Assim que aprontar eu vou ver", disse Lula ao sair de um almoço com o alto comando da Marinha. "Assim que eu vir vocês logo vão ver. A hora que for aprovado, vocês vão ver, os jornalistas serão as segundas pessoas a saberem do arcabouço. Deve ser antes da viagem, até porque Haddad vai viajar comigo."
Haddad afirmou nesta quarta que a proposta já "está no Planalto", ao ser perguntado se a proposta fora entregue a Lula. Uma fonte da área econômica confirmou à Reuters que a proposta foi entregue por Haddad a Lula. O presidnete, no entanto, afirmou que não chegou a olhar o texto ainda.
Na terça-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse que uma reunião da Junta Orçamentária deveria ocorrer ainda nesta semana para iniciar a análise da proposta. A junta é formada pelo próprio ministro da Casa Civil mais os titulares da Fazenda, Planejamento e Gestão, além de outros integrantes da equipe econômica.
Segundo Costa, na sequência a proposta seria apresentada a Lula para, com seu aval, ser encaminhada ao Congresso. Uma fonte do Planalto, no entanto, disse à Reuters que a reunião da junta deve ocorrer apenas na semana que vem.
Também na terça-feira, Haddad reuniu-se com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para apresentar a proposta formulada pela Fazenda para a nova regra fiscal. Em entrevista após o encontro, o ministro disse que a reação de Alckmin "foi muito boa".
De acordo com Haddad, o arcabouço fiscal será uma regra nova de acompanhamento das contas públicas que dará um "horizonte sustentável", mas não será uma regra de dívida. Segundo ele o governo procurou fazer uma combinação entre a Lei de Responsabilidade Fiscal e o teto de gastos "que afasta os defeitos".
(Edição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)
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