Ativos brasileiros ensaiam estabilização, mas mercado segue temeroso com agenda de Lula
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Por Luana Maria Benedito e Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar alternava altas e baixas frente ao real nesta quarta-feira, enquanto o Ibovespa mostrava viés positivo, com investidores ajustando posições após queda acentuada dos ativos brasileiros nos primeiros dois pregões do ano, mas ainda temerosos com a agenda econômica do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Por volta de 12h10 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,37%, a 104.547,68 pontos, após acumular queda de cerca de 5% na segunda e na terça. Já a moeda norte-americana avançava 0,39%, a 5,4752 reais na venda, após trocar de sinal várias vezes ao longo da sessão e depois de ganhar quase 3,3% nos últimos dois pregões.
Enquanto isso, no mercado de juros futuros, as taxas dos principais DIs retomavam a alta recente, com ganhos de 11 a 19 pontos-base na curva de janeiro de 2024 a janeiro de 2028, mas em ritmo mais moderado que o visto nos dois primeiros pregões do ano.
É normal, depois de movimentos acentuados dos ativos brasileiros, haver momentos pontuais de ajuste, conforme investidores realizam lucros, dizem especialistas. No entanto, permaneciam temores no mercado sobre a agenda do novo presidente e seus ministros, que devem manter a volatilidade elevada no curto prazo.
"O noticiário político segue adicionando pressão no cenário doméstico –com dúvidas na dinâmica da dívida pública nos próximos anos e temores sobre eventual revogação de leis e reformas– agora com a possibilidade de nova reforma na Previdência", destacou a XP Investimentos em nota a clientes.
Na véspera, o novo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, criticou em seu discurso de posse a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro, chamando-a de "antirreforma" e dando sinais de que discutirá mudanças.
Por outro lado, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse nesta quarta-feira que não há nenhuma proposta sendo pensada nesse momento para revisão de reformas, incluindo a previdenciária.
Enquanto isso, a postura relativamente moderada do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tem sido capaz de acabar com o pessimismo do mercado.
"Os discursos de Haddad mostram uma abordagem considerada 'amigável' ao mercado, abordando temas como responsabilidade fiscal e reforma tributária. No entanto, a falta de sinalizações mais concretas, como, por exemplo, a nova âncora fiscal, tem frustrado os operadores", disse a Levante Investimentos em relatório.
No exterior, a sessão era de queda de preços de commodities como o minério de ferro e o petróleo, enquanto Wall Street adotava um viés positivo, em sessão marcada por expectativa para a divulgação da ata da última decisão de juros do banco central norte-americano.
O documento, que será divulgado às 16h (horário de Brasília), pode fornecer mais informações sobre o atual ciclo de aperto monetário e o quanto as autoridades do Federal Reserve estão começando a avaliar os riscos para o crescimento econômico diante de sua principal preocupação, a inflação alta.
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