Ibovespa perde fôlego e recua com Brasília no radar
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa reverteu o tom mais positivo da abertura e recuava nesta terça-feira, com investidores na expectativa da conclusão da equipe do novo governo, enquanto no exterior pregões reagem a expectativas relacionadas ao alívio de restrições contra a Covid na China.
Às 11:33, o Ibovespa caía 0,94%, a 107.715,66 pontos. Mais cedo, na máxima, chegou a 109.352,67 pontos. O volume financeiro somava 4,1 bilhões de reais.
"Seguimos acompanhando os 'arranjos' para a acomodação de nomes 'políticos' nos 16 ministérios que faltam ser anunciados", afirmou o Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Mirae Asset Wealth Management (Brazil) CCTVM, em comentário a clientes.
Ele ressaltou que o mais importante sobre a composição da equipe será saber quais são os homens fortes deste governo, os formuladores de políticas públicas e como será o terceiro mandato do governo, "mais parecendo um mix dos três mandatos e meio do PT no poder, sem falar nos 'vícios' preocupantes do passado, como o excesso de 'aparelhamento da máquina'".
Nesta sessão, um dos focos está voltado para uma esperada decisão da senadora Simone Tebet (MDB-MS) em relação ao ministério do Planejamento. Na véspera, Fernando Haddad, futuro ministro da Fazenda, disse que ela é qualificada e que não haveria dificuldade em relação a seu nome no Planejamento.
Na cena externa, ações subiam nos pregões europeus e o Dow Jones também abriu em alta no retorno do fim de semana prolongado por feriado na segunda-feira, com investidores analisando novo alívio na política de Covid zero da China, que influenciava também commodities como o minério de ferro.
A China anunciou na véspera que vai parar de exigir quarentena para viajantes que chegarem ao país a partir de 8 de janeiro, em um passo para diminuir restrições em suas fronteiras, praticamente fechadas desde 2020. A gestão da Covid-19 será rebaixada da categoria A para B, menos rigorosa.
Em Nova York, porém, o S&P 500 abandonava o sinal positivo mostrado pelo contrato futuro mais cedo e perdia 0,2%.
DESTAQUES
- VALE ON avançava 1,17%, a 88,13 reais, conforme o contratos futuros de minério de ferro subiram nesta terça-feira, com o preço de referência de Cingapura atingindo o maior nível em cinco meses depois que a China decidiu eliminar as regras de quarentena para visitantes, favorecendo o sentimento dos investidores.
- VIA ON caía 5,88%, a 2,4 reais, com o setor de consumo novamente no vermelho como um todo, diante de preocupações domésticas, particularmente sobre o rumo da taxa de juros. Na véspera, pesquisa Focus do Banco Central mostrou que o mercado elevou sua projeção para a Selic em 2023.
- BANCO DO BRASIL ON perdia 2,67%, a 34,29 reais, afetado pelas incertezas acerca do comando de estatais, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,26%, a 24,38 reais, e BRADESCO PN cedia 1,01%, a 14,63 reais. Dados de crédito de novembro mostraram desaceleração adicional no crescimento do crédito, enquanto spreads voltaram a crescer e a inadimplência mostrou uma piora modesta.
- PETROBRAS PN recuava 1,16%, a 24,65 reais, em meio à fraqueza dos preços do petróleo no exterior e ainda sensível a dúvidas sobre a gestão da petrolífera de controle estatal no novo governo. Tem ganhado força a expectativa de que o senador Jean Paul Prates (PT-RN) foi escolhido por Lula para presidir a companhia.
- B3 ON declinava 3,8%, a 12,91 reais, em meio a ajustes após forte alta na semana passada (+17,75) e sinal positivo ainda na véspera (+0,5%).
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