JPMorgan diz que "é muito cedo" para comprar ações da Petrobras
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SÃO PAULO (Reuters) - Analistas do JPMorgan avaliam que ainda não é o momento de comprar ações da Petrobras, mesmo após a queda de mais de 20% desde as máximas apuradas em outubro, diante das incertezas sobre o que mudará na petrolífera de controle estatal com o novo governo a partir do próximo ano.
"Nós continuamos acreditando que ainda é muito cedo para comprar a Petrobras", afirmaram Rodolfo Angele e equipe em relatório enviado a clientes nesta quarta-feria.
"Investidores exigirão mais clareza do novo governo antes que os preços das ações reflitam totalmente os fundamentos. Em nossa opinião, levará pelo menos 3 a 6 meses no novo governo para entendermos melhor a direção que a empresa tomará. Enquanto isso, preferimos ficar de fora da Petrobras."
"Nossas conversas sugerem que os investidores só investirão na Petrobras se os upsides forem muito atraentes --alguns sugerindo que seria necessário um potencial de upside de 100% para que a ação fosse atraente o suficiente."
Por volta de 11:25, as ações preferenciais subiam 1,01%, a 25,9 reais, e os papéis ordinários avançavam 0,75%, a 29,4 reais, enquanto o Ibovespa cedia 0,13%.
A análise do banco foi feita na esteira de questionamentos sobre se era o momento de comprar as ações, dado que muitos veem valor no nome, mas estão receosos com as incertezas ainda orbitando a companhia. Eles também afirmam ver "valor na mesa", citando que a empresa tem fluxos de caixa fortes.
Na sequência do desfecho da eleição no Brasil, no final de outubro, o JPMorgan cortou a recomendação dos papéis da companhia para "neutra", com preço-alvo de 37 reais para as ações negociadas na B3 e de 14 dólares para os papéis negociados nos Estados Unidos (ADRs).
No relatório desta quarta-feira, eles lembraram que a equipe do novo governo criticou abertamente a forma como o empresa tem sido dirigida e vocalizou possíveis mudanças na mesma.
"Embora isso já esteja precificado e o escrutínio do público em geral desempenhe um papel importante na trajetória da empresa, acreditamos que os preços das ações não refletirão totalmente os fundamentos até que os investidores tenham clareza sobre quais serão as mudanças na Petrobras."
(Por Paula Arend Laier)
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