Suposta intervenção cambial do Japão falha em conter queda do iene
![]()
Por Tetsushi Kajimoto e Yoshifumi Takemoto
TÓQUIO (Reuters) - As autoridades japonesas mantiveram nesta segunda-feira os esforços para conter as quedas acentuadas do iene, inclusive com uma suposta intervenção cambial por duas sessões consecutivas, mas não conseguiram sustentar a moeda contra a força persistente do dólar.
A liquidação do iene está prejudicando a terceira maior economia do mundo, impulsionando as contas de importação já em alta e desafiando o compromisso do Banco do Japão com juros ultrabaixos diante do rápido aperto monetário global para conter a inflação desenfreada.
A moeda japonesa saltou 4 ienes, para 145,28 por dólar no início das negociações asiáticas nesta segunda-feira, sugerindo que as autoridades intervieram pelo segundo dia consecutivo após um movimento semelhante de Tóquio na sexta-feira.
"Não vamos comentar", disse Masato Kanda, vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais, a repórteres no Ministério das Finanças, quando perguntado se houve nova intervenção nesta segunda-feira.
"Estamos monitorando o mercado 24 horas por dia, 7 dias por semana, enquanto tomamos as respostas apropriadas. Continuaremos a fazê-lo a partir de agora também", disse Kanda, que supervisiona a política cambial do Japão.
No entanto, o iene não conseguiu manter os ganhos iniciais e atingiu brevemente uma mínima de 149,70 por dólar, enquanto os mercados continuavam a se concentrar na crescente divergência entre a política monetária ultrafrouxa do Banco do Japão e os planos de aumento de juros constantes do Federal Reserve.
Às 9:09 (de Brasília), o dólar subia 0,90%, a 148,97 ienes.
O Japão deve ter gastado um recorde de 5,4 trilhões a 5,5 trilhões de ienes (36,16 bilhões a 36,83 bilhões de dólares) em sua intervenção de compra de ienes na sexta-feira passada, segundo estimativas de corretoras do mercado monetário de Tóquio.
A quantia é muito maior do que os cerca de 2,8 trilhões de ienes que o Japão gastou para sustentar a moeda em 22 de setembro, que foi a primeira intervenção de compra de ienes e venda de dólares desde 1998.
A situação do iene deixa o banco central japonês sob os holofotes dias antes de ele se reunir para definição da política monetária, com expectativa de que mantenha a postura ultrafrouxa ao divulgar a decisão na sexta-feira.
Com a inflação relativamente modesta e a economia incapaz de acelerar, o banco central tem medo de aumentar os juros e correr o risco de desencadear uma recessão.
(Reportagem de Tetsushi Kajimoto e Yoshifumi Takemoto; Reportagem adicional de Chang-Ran Kim, Sakura Murakami, Daiki Iga e Leika Kihara)
0 comentário
Ibovespa fecha em queda descolado de NY com investidor à espera de decisão dos EUA sobre tarifas
Dólar fica estável no Brasil com política doméstica e tarifa dos EUA no foco dos investidores
Ibovespa fecha em queda descolado de NY com Engie entre maiores quedas; B3 sobe
Trump, questionado se Irã tem um prazo, afirma que não gosta de prazos
Principal negociador do Irã diz que Teerã não tem motivos para respeitar memorando com EUA sem benefícios
FMI diz estar trabalhando para avaliar melhor riscos de dívida interna para países de baixa renda