Putin rejeitou acordo de paz com a Ucrânia no início da guerra
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PARIS (Reuters) - O enviado-chefe de Vladimir Putin para a Ucrânia disse ao líder russo no início da guerra que ele havia fechado um acordo provisório com Kiev que satisfazia a demanda da Rússia de que a Ucrânia ficasse fora da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas Putin o rejeitou e seguiu em frente com sua campanha militar, segundo três pessoas próximas à liderança russa.
O enviado de origem ucraniana, Dmitry Kozak, disse a Putin que acreditava que o acordo que ele firmou removia a necessidade da Rússia perseguir uma ocupação em larga escala da Ucrânia, segundo essas fontes. A recomendação de Kozak a Putin para adotar o acordo está sendo relatada pela Reuters pela primeira vez.
Putin havia afirmado repetidamente antes da guerra que a Otan e sua infraestrutura militar estão se aproximando das fronteiras da Rússia ao aceitar novos membros da Europa Oriental, e que a aliança agora está se preparando para trazer a Ucrânia para sua órbita também. Putin disse publicamente que isso representa uma ameaça existencial à Rússia, forçando-a a reagir.
Mas, apesar de ter apoiado anteriormente as negociações, Putin deixou claro quando apresentado ao acordo de Kozak que as concessões negociadas por seu assessor não foram suficientemente longe e que ele havia expandido seus objetivos para incluir a anexação de faixas do território ucraniano, disseram as fontes. Resultado: o acordo foi cancelado.
Questionado sobre as descobertas da Reuters, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "Isso não tem absolutamente nenhuma relação com a realidade. Isso nunca aconteceu. É uma informação absolutamente incorreta".
Mykhailo Podolyak, assessor do presidente ucraniano, disse que a Rússia usou as negociações como uma cortina de fumaça para se preparar para sua invasão, mas não respondeu a perguntas sobre o conteúdo das negociações nem confirmou que um acordo preliminar foi alcançado. "Hoje, entendemos claramente que o lado russo nunca se interessou por um acordo pacífico", disse Podolyak.
Duas das três fontes disseram que um esforço para finalizar o acordo ocorreu imediatamente após a invasão da Rússia em 24 de fevereiro. Em poucos dias, Kozak acreditou ter o acordo da Ucrânia com os principais termos que a Rússia vinha buscando e recomendou a Putin que assinasse um acordo, disseram as fontes.
A terceira fonte, que foi informada sobre os eventos por pessoas com conhecimento das discussões entre Kozak e Putin, divergiu sobre o momento, dizendo que Kozak havia proposto o acordo a Putin, e foi rejeitado, pouco antes da invasão. Todas as fontes solicitaram anonimato para compartilhar informações internas confidenciais.
Mesmo que Putin tivesse concordado com o plano de Kozak, permanece incerto se a guerra teria terminado. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente se o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy ou altos funcionários de seu governo estavam comprometidos com o acordo.
Seis meses depois do início da guerra, Kozak continua no cargo de vice-chefe de gabinete do Kremlin. Mas ele não está mais lidando com o tema da Ucrânia, de acordo com seis das fontes que conversaram com a Reuters.
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