Vendas no varejo frustram expectativas e têm maior queda para julho em 4 anos
![]()
Por Isabel Versiani e Rodrigo Viga Gaier
BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) -As vendas no varejo brasileiro recuaram em julho, na terceira queda seguida do comércio sobre o mês anterior, contrariando expectativa de crescimento com retração em sete das oito atividades pesquisadas, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
As vendas caíram 0,8% sobre junho, em dado com ajuste sazonal, maior declínio para o mês desde 2018 (-0,9%). Na comparação com julho do ano passado, o varejo encolheu 5,2%.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,30% na comparação mensal e de queda de 3,50% sobre um ano antes.
As quedas nas vendas na comparação com junho foram disseminadas, com destaque para tecidos, vestuários e calçados (-17,1%), móveis e eletrodomésticos (-3,0%) e livros, jornais e papelaria (-2,0%).
Apenas a atividade de combustíveis e lubrificantes (12,2%) mostrou crescimento, acompanhando a queda recente de preços nesse setor, que determinaram a deflação registrada em julho, refletindo a retração das cotações internacionais e a política de desoneração implementada pelo governo no ano eleitoral.
Apesar da deflação de julho, o IPCA ainda acumulava no período alta de 10,07% em 12 meses, comprimindo o poder de compra das famílias, que têm enfrentado níveis recordes de endividamento mesmo com medidas adotadas pelo governo, como a antecipação do 13º salário e a liberação de saques do FGTS.
Nos três meses até julho, as vendas no varejo acumularam queda de 2,7%. No ano, o volume de vendas tem alta de 0,4% e está atualmente apenas 0,5% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020.
O comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, teve queda de 0,7% no volume de vendas frente a junho e de 6,8% sobre julho do ano passado.
O desempenho do varejo em julho contrasta com o do serviços, que avançou 1,1% no mês, bem mais do que o esperado por analistas, impulsionado pela demanda das empresas.
"O que pode estar havendo é que alguns serviços deixaram de ser consumidos por conta da pandemia e agora, com a normalização, as pessoas podem estar consumindo mais serviços e menos bens", disse o gerente da pesquisa do varejo, Cristiano Santos.
O Banco Central divulgará nesta semana seu índice de atividade para julho (IBC-Br), que dará uma visão mais abrangente do estado da economia naquele mês.
(Por Isabel Versiani, em Brasília, e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro; edição de José de Castro)
0 comentário
Fachin suspende caso relatado por Mendonça com relatório da PF apontando vínculos de Vorcaro com Moraes, Andrei e Gonet
Dólar fecha em alta no Brasil com acirramento das tensões no Oriente Médio
Ibovespa fecha em queda com exterior
Trump diz que Putin quer chegar a um acordo sobre Ucrânia
Avião de Zelenskiy “quase foi atingido” por um drone na 3ª feira, diz premiê da Noruega
Trump diz que guerra contra Irã terminará logo após eleições de meio de mandato nos EUA