Manter Selic alta por mais tempo seria adequado, mas é preciso ser razoável, diz diretor do BC
![]()
Por Bernardo Caram
BRASÍLIA (Reuters) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, disse nesta segunda-feira preferir um cenário de taxa de juros parada em um patamar alto por mais tempo para atingir a meta de inflação, mas ponderou que nem sempre isso é possível, em meio a especulações do mercado sobre os próximos movimentos do BC no combate à inflação.
Em evento promovido pelo Goldman Sachs, Serra afirmou que se pudesse escolher alongar o período de manutenção da Selic em um patamar mais elevado, essa seria uma opção "adequada", ressaltando contudo que a decisão precisa ser "razoável" e considerar outros fatores, como a atividade econômica.
“A gente fez o trabalho mais rápido do que nossos pares, a gente imaginava poder parar (o aperto) nessa reunião (de maio); o cenário piorou, a gente teve que estender o ciclo, dar uma sinalização de provável extensão do ciclo, mas daqui para frente eu acho que o tempo dirá”, disse.
Há cerca de duas semanas, o BC subiu a Selic em 1,0 ponto percentual, a 12,75% ao ano, e disse ser provável uma extensão do movimento de alta dos juros com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião, em junho, sem especificar se esse seria o último aumento da taxa.
“Se eu puder escolher alongar o período de convergência, alongar a manutenção da Selic em um nível apertado, juro alto, e for possível entregar a meta de inflação com essa política, acho que ela é adequada, mas precisa ser razoável”, disse, ponderando que o BC fará ajuste no ciclo se necessário.
O diretor justificou que até o momento houve poucos sinais de desaceleração da atividade, mas que as pressões nesse sentido agora serão ampliadas.
Depois de ressaltar que a taxa de juros entrou em campo contracionista recentemente, no fim de 2021, ele afirmou que os efeitos defasados da política monetária começarão a ser sentidos no segundo semestre deste ano, impactando a economia e abrindo caminho para recuo da inflação.
“Daqui para frente, há risco crescente de a política monetária fazer efeito e desacelerar a demanda”, disse.
Apesar da avaliação de que a atividade deve esfriar nos próximos meses, ele afirmou que o setor de serviços ainda tem espaço para recuperar e há melhores perspectivas para o crescimento estrutural do país com cenário mais favorável de câmbio, poupança interna e balanço de pagamentos.
Sobre o foco da atuação do BC, Serra disse que é válido discutir um alongamento do horizonte relevante da política monetária, mas ressaltou que a autarquia está hoje focada no cumprimento da meta de inflação em 2023.
Segundo ele, a partir de agosto deste ano, a autoridade monetária passará a incorporar em seu horizonte relevante algum peso para o ano de 2024.
0 comentário
Governo prevê descongelar R$5,7 bi em verbas de ministérios apesar de frustração em taxação de dividendos
Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC
Dólar fecha o dia estável no Brasil e acumula queda de 0,58% na semana
Ibovespa fecha em queda firme pressionado por blue chips
Pequenas empresas dos EUA entram com ação judicial contestando tarifas de Trump por "trabalho forçado"
Trump diz que EUA vão iniciar investigação sobre UE após multa aplicada ao Google