EUA buscam laços mais estreitos com Brasil em momento de turbulência e guerra
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BRASÍLIA (Reuters) - Autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos realizaram na segunda-feira as primeiras conversas de alto nível com o governo brasileiro desde 2019, reforçando os laços entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental, apesar de suas diferenças sobre a guerra na Ucrânia.
Embora o presidente Jair Bolsonaro não tenha condenado a invasão da Ucrânia pela Rússia, a subsecretária de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, Victoria Nuland, agradeceu aos diplomatas brasileiros por votarem com os Estados Unidos no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Em um momento em que o mundo está em turbulência, Estados Unidos e Brasil precisam um do outro", afirmou ela a repórteres, dizendo que a Rússia está "minando os princípios que os EUA e o Brasil defendem".
Questionada sobre as críticas de Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro antes de sua campanha em busca da reeleição em outubro, Nuland disse que os EUA têm confiança nas fortes instituições democráticas do Brasil.
"Temos confiança em seus sistemas e vocês precisam ter confiança em seus sistemas, inclusive no nível de liderança", declarou ela.
O subsecretário de Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente, José Fernández, disse que os EUA apoiaram a adesão do Brasil à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um órgão de nações ricas. Mas ele disse que o processo de adesão "levará vários anos".
As autoridades dos EUA expressaram preocupação com o desmatamento na Amazônia, segundo o secretário das Américas do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva. "Eles querem ver resultados concretos", afirmou ele a repórteres.
O desmatamento na maior floresta tropical do mundo aumentou sob o governo Bolsonaro e atingiu níveis recordes nos meses de janeiro e fevereiro.
O secretário disse que as autoridades dos EUA ouviram o que o Brasil está fazendo para conter o desmatamento, juntamente com uma mensagem de que as nações desenvolvidas precisam entregar mais em termos de financiamento ao desenvolvimento sustentável.
(Reportagem de Anthony Boadle)
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