Cenário não justifica dólar "muito acima" de R$5 com fluxo para renda fixa à vista, diz executivo do Fator
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As condições atuais ainda não justificariam um dólar "muito acima" dos 5 reais, e a parte média da curva de juros poderá ser a maior beneficiada caso o Banco Central consiga parar de subir a Selic na próxima reunião do Copom, disse Bruno Capusso, diretor de tesouraria do Banco Fator.
Segundo ele, depois do forte fluxo para a renda variável no começo do ano --que explica parte da queda do dólar no período--, a possibilidade de a política monetária entrar em nova fase com o fim do ciclo de aperto dos juros deverá abrir espaço para ingressos mais direcionados à renda fixa, sobretudo pelo diferencial de taxa mais alto a favor dos títulos brasileiros.
Porém, Capusso não espera para os títulos a enxurrada de dinheiro vista no começo do ano para a bolsa.
"Acho que tem chance de fluxo razoável, sim, para a renda fixa, principalmente para os títulos longos... Mas a materialização dessa entrada deve ocorrer de maneira mais distribuída no tempo", afirmou o executivo, citando que a falta de perspectiva de fim da guerra na Ucrânia e incertezas relacionadas às eleições no Brasil podem atrasar a vinda desses recursos.
Os rumos da política monetária serão cruciais para traçar esse cenário. O Copom se reúne nos próximos dias 3 e 4 de maio para voltar a deliberar sobre a taxa Selic, num momento em que o mercado discute o término do ciclo de aperto dos juros.
"Se o Banco Central conseguir colocar em prática o plano dele de parar na próxima reunião, acho que a parte média da curva é onde tem mais para cair. Acho que esse vai ser o gatilho para a (inclinação da) curva voltar a ficar positiva do meio para frente", afirmou o tesoureiro, chamando atenção para probabilidade de baixa mais acentuada nos DIs janeiro 2024 e janeiro 2025.
No caso do dólar, Capusso avaliou que a moeda não teria muito mais o que cair abaixo da faixa entre 4,50 reais e 4,60 reais. "Temos o diferencial de juros e o fluxo para commodities, mas a gente também tem eleição, tem o fiscal. Há forças ali dos dois lados, e pelo nosso horizonte relevante de informação essas duas forças equilibram ali no 4,60 reais, 4,50 reais", disse.
Depois de uma longa série de quedas que derrubou a cotação para cerca de 4,60 reais na segunda-feira, mínima em dois anos, o dólar engatou uma recuperação e já sobe 3,2% desde então, chegando a superar 4,76 reais na máxima desta quinta-feira.
"Mas, do mesmo jeito, não vejo tampouco muito espaço para o dólar ir muito acima de 5 reais, não, mesmo com o ano de eleição."
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