XP sobe projeções para IPCA em 2022 e 2023 com impacto da guerra, vê dólar a R$5,00 ao fim deste ano
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SÃO PAULO (Reuters) - A XP elevou suas estimativas de inflação para este ano e o próximo, embora tenha melhorado seu prognóstico para a taxa de câmbio ao fim de 2022, com o impacto da guera na Ucrânia devendo pesar no bolso do consumidor.
Agora, a instituição financeira espera que o IPCA suba 7,0% em 2022 e 4,0% em 2023, contra taxas de 6,2% e 3,8%, respectivamente, previstas em cenário anterior.
"A mudança é resultado da incorporação tanto de resultados correntes mais fortes do que projetávamos, como também de um balanço de riscos pior para frente", afirmou a XP em relatório assinado por economistas, estrategistas e analistas, entre eles Caio Megale, economista-chefe.
A XP citou "impactos mais persistentes da guerra" na Ucrânia e afirmou que os preços de alimentação e combustíveis estão turbinando a inflação corrente.
"Por outro lado, a taxa de câmbio mais apreciada ajudará a conter a inflação no ano", ponderou a XP, que revisou sua projeção para o patamar do dólar ao fim de 2022 a 5,00 reais, contra 5,20 previstos anteriormente. Para o encerramento de 2023, foi mantida estimativa de que a moeda norte-americana ficará em 5,30 reais.
Por trás da recente desvalorização do dólar --que acumula baixa de 16% no ano frente ao real, cujo desempenho no período é o melhor do mundo--, a XP apontou a elevação nos preços das commodities, a baixa vulnerabilidade da América Latina ao conflito na Ucrânia e o fato de o Banco Central ter começado a subir os juros mais cedo e em ritmo mais acelerado do que seus pares, tornando a renda fixa local mais atrativa.
O dólar era negociado em torno de 4,66 reais nesta manhã.
"Mas há riscos adiante que tendem a reverter parcialmente o movimento" de depreciação da moeda norte-americana, alertou a instituição financeira. "Se a guerra na Ucrânia caminhar para uma solução, não esperamos altas adicionais nos preços de commodities. Da mesma forma, a reabertura das economias do leste europeu tende a gerar saídas de recursos hoje alocados na América Latina."
Além disso, o relatório citou a normalização das políticas monetárias de países desenvolvidos e outras nações emergentes, bem como incertezas eleitorais domésticas, como possíveis fatores de suporte para o dólar ante o real.
Para a taxa Selic, atualmente em 11,75%, a XP manteve projeção de que os juros chegarão a 12,75% ao fim do ciclo de aperto monetário do BC.
Também permaneceram inalterados os prognósticos de crescimento econômico para este ano e o próximo. "Mantemos a projeção de taxa de variação nula para o PIB de 2022, mas atribuímos viés de alta. Para o PIB de 2023, continuamos a prever crescimento de 1,2%, considerando a dissipação dos choques da pandemia e da guerra no leste europeu", disse a XP.
(Por Luana Maria Benedito)
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