Dólar recupera fôlego em movimento de ajuste após ir abaixo de R$4,60
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O dólar chegou a ir abaixo da barreira de 4,60 reais nesta terça-feira, em meio à percepção de ambiente doméstico atrativo para investimentos, embora não tenha conseguido se sustentar nesses patamares, no que especialistas atribuíram a um ajuste técnico.
Às 10:18 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,67%, a 4,6383 reais na venda, depois de mais cedo chegar a cair 0,55%, a 4,5820 reais.
Na B3, às 10:18 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,84%, a 4,6680 reais.
A recuperação do dólar em relação às mínimas do dia "parece realmente um ajuste, em meio também à falta de um 'driver' no mercado", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.
"A agenda de indicadores está relativamente fraca, e não tem um fator que possa indicar mudança do cenário" recente de desvalorização sucessiva do dólar, disse ele. "Pode ser que os 4,60 estejam começando a se mostrar como um patamar de resistência para o mercado."
O movimento dessa sessão vem depois de a moeda ter fechado a véspera em queda de 1,27%, a 4,6075 na venda, mínima para encerramento desde 4 de março de 2020 (4,5806) e aprofundando suas perdas no ano contra o real para mais de 17%, consolidando a liderança global de desempenho da divisa brasileira.
O dólar vem rompendo barreiras de suporte de maneira sucessiva nas últimas semanas, principalmente depois de cruzar a marca psicológica de 5 reais, o que alguns investidores atribuíram ao acionamento de gatilhos de "stop-loss", ou ordens automáticas de negociação de ativos para redução de perdas.
Depois dessas baixas constantes, é normal haver ajustes pontuais no preço da moeda, disse Rostagno.
Por trás da tendência de desvalorização do dólar no mercado doméstico, especialistas têm apontado o conflito na Ucrânia, que levantou temores generalizados de restrição de oferta de produtos como petróleo e commodities agrícolas, impulsionando seus preços. Isso voltou a atenção de investidores internacionais para alternativas à Rússia e à Ucrânia --importantes exportadoras--, especialmente na América Latina, região considerada menos vulnerável à crise geopolítica.
Além do real, os pesos mexicano, chileno e colombiano, bem como sol peruano, acumulam ganhos expressivos frente ao dólar em 2022. Fora da América, outro destaque no período é o rand sul-africano.
O Brasil tem sido opção especialmente atraente para estrangeiros, já que, com a taxa Selic atualmente em 11,75%, o país tem uma das maiores taxas de juros nominais do mundo, perdendo apenas para Rússia --golpeada por sanções ocidentais em resposta à guerra--, Argentina e Turquia --dois países que sofrem com inflação galopante.
E os custos dos empréstimos brasileiros devem subir ainda mais, com ampla expectativa de que o Banco Central promova elevação de 1 ponto em sua reunião de maio. O presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, tem sinalizado que o ciclo de aperto monetário iniciado no ano passado deve parar por aí, mas algumas instituições financeiras e participantes do mercado projetam altas adicionais da Selic --com algumas apostas na casa de 14%.
Juros domésticos mais altos tornam o real atraente para estratégias de "carry-trade", que consistem na tomada de empréstimo num país de taxas baixas e aplicação desse dinheiro numa praça de retornos mais altos.
"O fluxo de recursos externos segue forte, impulsionados pela Selic elevada e commodities valorizadas", disseram em nota analistas da Levante Investimentos.
Eles chamaram a atenção para a paralisação dos servidores do Banco Central, que está atrasando a divulgação de vários indicadores. "Embora intensificada, ainda não provocou maiores mobilizações por parte do governo, e estão sendo apenas monitoradas."
Nesta terça-feira, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes rondava a estabilidade, conforme os participantes do mercado avaliavam as chances de o Ocidente anunciar novas sanções contra a Rússia, depois de civis serem encontrados mortos numa cidade ucraniana.
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