BCE busca conciliar inflação alta com riscos da guerra
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Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa
FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) deve assumir o menos possível de compromissos nesta quinta-feira, uma vez que o choque da invasão da Ucrânia pela Rússia afeta suas expectativas para a economia deixa as autoridades em meio a novas realidades.
Com a inflação na zona do euro em máxima recorde mesmo antes de Moscou atacar a Ucrânia em 24 de fevereiro, a expectativa era de que as autoridades anunciassem o fim de anos de estímulo, abrindo caminho para uma alta dos juros no final do ano.
Mas a guerra destruiu esse consenso e as autoridades entrarão na reunião divididas, aumentando as chances de uma surpresa --e de o risco de um erro.
"Ninguém pode esperar seriamente que o BCE comece a normalizar a política monetária nesse momento de alta incerteza", disse o economista do ING Carsten Brzeski.
A rota mais segura parece ser confirmar a decisão anterior de continuar reduzindo as compras de títulos no próximo trimestre enquanto deixa em aberto outros comprometimentos, incluindo a data final das compras e o momento de uma alta dos juros.
Para fazer isso, o BCE deve remover a determinação de que a alta dos juros aconteceria "pouco" depois do fim das compras de títulos. Também deve retirar qualquer referência a um corte dos juros em sua orientação.
No entanto, alguns defensores do aperto monetário ainda devem pressionar o BCE para reduzir o estímulo e retornar a política ao menos a uma posição "neutra", então o banco pode também sinalizar o fim das compras de títulos nos próximos meses, decisão que aumentaria a chance, mas não consolidaria, de uma alta dos juros em 2022.
A inflação nos 19 países que usam o euro pode terminar este ano três vezes acima da meta do BCE, e de permanecer elevada em 2023 também.
Uma recuperação do crescimento econômico e o mercado de trabalho mais apertado em décadas também devem pressionar o BCE a abandonar sua postura de política monetária ultrafrouxa e encerrar as medidas de estímulo não convencionais.
Mas a guerra, sanções contra a Rússia e o aumento dos preços das commodities elevam a incerteza, prejudicam o crescimento e poder de compra das famílias, ampliando a necessidade de cautela.
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