Brasil vota a favor de resolução na ONU, mas critica "sanções indiscriminadas" contra Rússia
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O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Ronaldo Costa Filho, disse nesta quarta-feira que a aplicação indiscriminada de sanções à Rússia não leva à reconstrução do diálogo, e reafirmou a posição do país em defesa do imediato cessar-fogo.
As declarações do representante diplomático brasileiro ocorreram minutos após a Assembleia Geral da ONU ter adotado uma resolução --com o apoio do Brasil-- repreendendo a invasão russa da Ucrânia e que cobra de Moscou a imediata retirada de todas as suas forças da Ucrânia.
"A resolução não pode ser vista como algo que permita a aplicação indiscriminada de sanções. Essas iniciativas não levam à reconstrução do diálogo diplomático e ela traz consequências que vão além da situação atual", disse Costa Filho.
O embaixador disse ter apreciado o trecho da resolução em que diz que as partes devem respeitar a lei humanitária internacional para garantir a segurança dos civis e de quem presta trabalho humanitário.
Mas o representante diplomático disse que a resolução não vai longe em relatar que há uma série de hostilidades e que é "apenas o primeiro passo para alcançar a paz". Ele destacou que a "paz sustentável" precisa de passos adicionais e lamentou o apoio da ONU em encontrar culpados.
"É algo apoiado pela comunidade internacional, mas a paz exige a retirada de tropas e também trabalho amplo das partes para o consenso. A única pré-condição deveria ser o cessar-fogo", disse.
Para Costa Filho, todas as partes devem mostrar "flexibilidade e compreensão" e as soluções devem ser colocadas à mesa e estabelecidas por meio do diálogo. Ele conclamou aos atores que diminuam os ataques e as tensões e se engajem em um acordo diplomático entre Rússia e Ucrânia de forma a contribuir para o estabelecimento da segurança e estabilidade da região.
"Estamos prontos a trabalhar de forma resoluta em discussões nessa assembleia e em outros fóruns a esse respeito", finalizou.
A fala do embaixador brasileiro na ONU repete a linha que vem sendo adotada pela chancelaria brasileira de condenar a invasão russa à Ucrânia, iniciada na semana passada durante reunião do Conselho de Segurança da ONU.
As declarações, contudo, contrastam com a posição de neutralidade que o presidente Jair Bolsonaro tem tido em declarações públicas sobre o conflito. Bolsonaro, que pouco antes do início da guerra visitou o líder russo, Vladimir Putin, em Moscou, tem alegado a dependência do Brasil a fertilizantes para não condenar a atuação da potência militar.
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