Dólar à vista fecha em alta de 0,44%, a R$5,6897
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Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar engatou nova alta nesta terça-feira, chegando a superar 5,70 reais e oscilando em sintonia com os movimentos da moeda norte-americana no exterior, em um dia de volatilidade conforme investidores colocaram na balança riscos da pandemia e perspectivas de altas de juros nos Estados Unidos.
O dólar à vista subiu 0,44%, a 5,6897 reais na venda. A moeda variou entre 5,7121 reais (+0,84%) e 5,6381 reais (-0,47%).
A taxa de câmbio no Brasil operou em linha com as flutuações do dólar no exterior. O índice da moeda contra uma cesta de pares de mercados desenvolvidos chegou a subir 0,27% e a cair 0,19%.
"Nestes últimos dois dias o Brasil vem acompanhando o mercado externo e mantendo aquele ponto de resistência na taxa de 5,68 reais. O que descolou bem foi no último dia do ano, onde descarregaram uma posição grande em dia de baixa liquidez que fez o dólar ir para a casa de 5,57 reais", disse Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.
Em 30 de dezembro, o dólar despencou 2,11%, e em sua última sessão de 2021 o índice do dólar recuou 0,35%. No primeiro dia de negociações de 2022, a cotação no Brasil saltou 1,63%, enquanto o índice da moeda no exterior teve um rali de 0,56%, o mais forte desde meados de dezembro.
Pares do real também perderam terreno nesta terça. A lira turca caía 2,2%, o rand sul-africano perdia 0,9%, e o rublo russo recuava cerca de 1,6%.
De forma geral, o mercado começou o ano se dividindo entre o aumento vertiginoso de casos de Covid-19 no mundo --provocados pela altamente contagiosa variante Ômicron-- e sinais de que a cepa não é tão mortal quanto outras --o que reduziria os impactos econômicos e manteria os bancos centrais no caminho de aperto das políticas monetárias.
Nos EUA, por exemplo, o mercado projeta altas de juros neste ano, cenário que favorece o dólar, uma vez que juros mais altos elevam a atratividade de investimentos em títulos norte-americanos.
O mercado de câmbio começou 2022 também colocando na conta perspectivas para a agenda fiscal em ano de eleição presidencial, com ameaças de greves em categorias de serviços públicos renovando o temor de pressões por mais despesas diante de um teto de gastos fragilizado.
"A grande realidade é que o presidente (Jair Bolsonaro) nunca saiu do palanque, e a expectativa por ser um ano eleitoral é de que o governo terá pouca chance de aprovar qualquer medida que demonstre algum alívio para as contas públicas", disse Velloni.
Evidência de incerteza, a volatilidade implícita nas opções de dólar/real para três meses é a mais alta dentre os pares comparáveis (fora lira turca), estando em 15,3% ao ano, indicando instabilidade para a taxa de câmbio no curto prazo.
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