Dólar devolve perdas ante real apesar de intervenção do BC; riscos seguem em foco
![]()
Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar devolveu perdas registradas mais cedo ante o real nesta terça-feira, mesmo após o Banco Central voltar a entrar em cena nos mercados com a realização de leilão de moeda à vista, com investidores atentos a riscos tanto internacionais quanto locais.
Na operação desta manhã, a quinta do tipo nos últimos oito pregões, o BC vendeu o total da oferta de até 500 milhões de dólares. O leilão à vista teve a "intenção de prover liquidez ao mercado cambial brasileiro", disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.
O dólar chegou a cair 0,58%, para 5,7117 reais, na mínima da sessão, prejudicado pela intervenção do Banco Central nos mercados. Às 11:40 (de Brasília), no entanto, o dólar à vista avançava 0,07%, a 5,7492 reais na venda, longe dos menores patamares do dia.
Na B3, às 11:40 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,10%, a 5,7600 reais.
Além de fatores sazonais locais que tradicionalmente elevam a busca pela moeda norte-americana --como o pagamento de juros e dividendos por parte de empresas com a chegada do fim do ano--, os últimos dias têm contado com maior instabilidade nos mercados internacionais, em meio a receios sobre qual será o impacto econômico da variante Ômicron do coronavírus e sinalizações mais duras com a inflação de grandes bancos centrais.
"Na minha visão, uma parte da pressão de curto-prazo pode ser explicada pela nova onda pandêmica", disse em blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos. "Todavia, a inflação elevada e a necessidade de normalização monetária no mundo devem ser vetores de duração mais longa e fontes mais persistentes de instabilidade aos ativos de risco."
Na semana passada, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, anunciou a aceleração da redução de seus estímulos e passou a prever três altas de juros para o ano que vem, o que é amplamente visto como positivo para o dólar.
No Brasil, outros desafios ofuscam as perspectivas do real.
"Continuamos em um pano de fundo de incerteza fiscal, com a continuidade de pressões para mais gastos às vésperas de um ano eleitoral", disse Kawa.
Depois de o governo ter conseguido alterar a regra do teto de gastos --importante âncora fiscal do país-- por meio da PEC dos Precatórios, abrindo espaço fiscal para financiamento do programa Auxílio Brasil, o Ministério da Economia fez pedido na semana passada para remanejar quase 2,9 bilhões de reais no Orçamento de 2022 com a finalidade de reajustar salários de algumas carreiras de servidores públicos.
Investidores devem ficar atentos à votação do relatório final do Orçamento pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), que foi adiada de segunda-feira para esta terça.
Além da pauta fiscal, os mercados ficavam receosos com a aproximação da corrida eleitoral do ano que vem, que já promete elevar a incerteza política e, consequentemente, aumentar a busca pela segurança do dólar.
Na segunda-feira, a moeda norte-americana spot teve alta de 1,06%, a 5,745 reais na venda, maior patamar desde 30 de março (5,7588 reais).
0 comentário
Trump diz que EUA ficarão satisfeitos se Irã concordar em não possuir armas nucleares
Nasdaq lidera as perdas nas ações, com petróleo e custos de financiamento no foco
Trump suspende ataque ao Irã enquanto negociações continuam
Ibovespa fecha abaixo dos 177 mil pontos pressionado por Vale
Brasil pode realocar fluxos de exportações do agro em meio a acordo EUA-China
Dólar volta a fechar abaixo de R$5,00 após Trump adiar ataque contra o Irã