Previsão de que Brasil não vai crescer é equívoco e conversa de maluco, diz Guedes
![]()
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que previsões de que o Brasil não vai crescer em 2022 são um equívoco e "conversa de maluco", embora tenha reconhecido que haverá desaceleração em meio ao avanço de preços na economia.
"Vamos crescer um pouco menos porque vamos estar combatendo inflação", disse ele, em palestra em evento sobre os dez anos de concessões aeroportuárias no país.
Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou contração de 0,1% para a economia no terceiro trimestre, abaixo da estabilidade esperada para o período, resultado que na visão de muitos agentes reforça a perda de ímpeto da atividade.
A leitura é de que o cenário para o ano que vem fica ainda mais turvo em meio a incertezas políticas e fiscais e diante da perspectiva de juros básicos mais altos para conter a inflação, o que já levou alguns bancos a projetar queda do PIB em 2022.
Guedes, no entanto, defendeu que os economistas estão sistematicamente errando seus prognósticos sobre o Brasil. Ele avaliou ainda que há muitos que estão fazendo atividade política "disfarçados" de economistas.
"Vai crescer de qualquer jeito, pergunta é se vai ter um pouco mais ou um pouco menos de inflação e isso vai depender justamente de como é que nós vamos combater essa inflação", afirmou.
Ecoando falas públicas recentes, o ministro voltou a dizer que o governo Jair Bolsonaro conseguiu a aprovação do Banco Central independente, frisando que pela primeira vez a autoridade monetária terá esse status em ano eleitoral.
Para o desempenho da economia este ano, Guedes projetou alta de 5%.
O ministro avaliou ainda que há "conversa fiada" de que o país perdeu controle sobre o fiscal, o que classificou como "narrativa política" e "fake news".
A despeito de os dados do IBGE terem indicado o ingresso em recessão técnica dois trimestres consecutivos no vermelho, a bolsa subiu, motivada pela aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, disse Guedes.
Ele defendeu que a Proposta de Emenda à Constituição não constitui um calote, acrescentando que, com a investida, o governo quer os precatórios também embaixo do teto de gastos.
O ministro voltou a defender a privatização de estatais, afirmando que há centenas de bilhões de reais que querem entrar no Brasil e não o fazem "porque governo é dono e manda em tudo".
CRIAÇÃO DE EMPREGOS
Após nova revisão em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrar que o Brasil fechou postos de trabalho em 2020, em vez de ter criado como divulgado anteriormente, Guedes buscou ressaltar que esta foi a primeira vez que não houve destruição em massa de empregos em meio a uma recessão.
"Na verdade (Caged) errou 50 mil, 100 mil. Mas nós estamos falando da criação de 3,5 milhões de empregos desde o fundo do poço", disse ele, afirmando que o IBGE também reviu recentemente seus cálculos para o mercado de trabalho, apontando uma figura melhor.
"O Caged subestimou a perda de empregou e o IBGE superestimou o desemprego", acrescentou o ministro.
0 comentário
Chefes de Finanças do G7 dizem que é preciso reabrir Estreito de Ormuz e resolver desequilíbrios em contas correntes
Dólar sobe ante o real na abertura sob influência do exterior
Minério de ferro amplia perdas após China revelar controle mais rígido da capacidade siderúrgica
Ações da China sobem com otimismo IA compensando preocupações com títulos
Trump diz que EUA ficarão satisfeitos se Irã concordar em não possuir armas nucleares
Nasdaq lidera as perdas nas ações, com petróleo e custos de financiamento no foco