Governo quer votar PEC dos Precatórios nesta 4ª-feira, mas quórum não está garantido
![]()
Por Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) - O governo pretende colocar em votação mais uma vez, nesta quarta-feira, a PEC dos Precatórios, mas os líderes da base ainda vão analisar o cenário em um almoço na residência do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em meio à falta de garantia de quórum e votos necessários para se aprovar a matéria.
"Vamos votar o primeiro turno hoje", garantiu à Reuters o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). No início da tarde, o sistema da Câmara passou a mostrar sessão de votação marcada para 18h, com a PEC na pauta.
A certeza dada pelo líder do governo, no entanto, não é compartilhada por outros parlamentares. De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, o governo está fazendo uma "operação de guerra" para tentar garantir quórum em Brasília, mas a avaliação é de que será difícil colocar a PEC em votação sem risco de ser derrotada.
Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários 308 votos para aprovação e a conta de parlamentares experientes é de que é preciso que pelo menos 500 dos 513 deputados estejam presentes para garantir a margem de vitória. Em uma semana com feriado numa terça-feira, a possibilidade de quórum alto é tradicionalmente mais baixa.
Sob a condição do anonimato, um importante parlamentar do centrão disse que os líderes partidários têm pressionado suas bancadas para votar a PEC alegando que, se isso não ocorrer, não haverá recursos para pagar as emendas parlamentares dos deputados.
"Estão dizendo que, se não aprovar a PEC, não terá dinheiro para pagar emenda impositiva", afirmou, destacando que a pressão ocorre em ano pré-eleitoral.
Esse parlamentar acredita que, mesmo com toda essa articulação, não haveria votos suficientes nesta quarta para aprovar a PEC com uma boa margem de segurança.
O deputado contabiliza que haveria, no máximo, 315 votos a favor da PEC, uma vez que, pelos seus cálculos, 130 deputados da oposição, outros 20 de partidos como MDB e PSDB, 20 de partidos da base aliada, 8 do Novo devem votar contra, além de ainda 20 deputados que não devem participar da votação.
"Isso dá 198, sobra 315, a margem é muito pequena para arriscar votar", avaliou.
Outro deputado da base reconheceu que, por ora, a movimentação para votar a proposta está muito fraca e que ainda há problema para se votar a proposta nesta quarta.
SEM MUDANÇA
Apesar do relator, Hugo Motta (Republicanos-PB), ter feito mudanças no texto tentando atrair votos na oposição, o líder do PT na Câmara, Bohn Gass (RS), disse que o partido não mudou de posição, e denunciou a pressão do governo com a distribuição de emendas de relator apenas para quem votar a favor da PEC.
"É calote, é espaço fiscal só para ano eleitoral, não tem garantia que vai cumprir os programas sociais, vai aumentar recursos para emendas para a base do governo, emendas de relator", afirmou. "Com o conjunto da obra, calote e chantagem, não podemos aceitar, juntando ainda o período eleitoreiro por parte do governo."
Bohn Gass disse que não é possível haver dois tipos de parlamentares, aqueles que são beneficiados com emendas ao apoiar votações do governo, e outros que não.
O líder do PT disse ainda que não tem uma estimativa de placar de votação para esta quarta, mas alertou que, se o governo tivesse garantia de que iria aprovar a PEC, a matéria já teria sido apreciada.
0 comentário
Dia do Agro: bancada articula avanço de projetos estratégicos para o setor produtivo
Dólar à vista fecha em alta de 0,86%, a R$5,0416 na venda
Ibovespa recua com exterior desfavorável e pesquisa eleitoral no radar
Vice-presidente dos EUA diz que houve "muito progresso" nas negociações com Irã
PL do Endividamento deverá ser votado nesta 4ª (20) no Senado como primeiro item da pauta
Trump diz que EUA podem atacar Irã novamente, mas que Teerã quer acordo