Dólar futuro vai a R$5,68 e DIs saltam com temor de descontrole fiscal
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Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar e os juros futuros disparavam nesta quinta-feira, com a moeda norte-americana superando 5,68 reais no mercado futuro, enquanto taxas de contratos de DI chegaram a saltar mais de 60 pontos-base, conforme o mercado colocava nos preços pavor de que o governo fure o teto de gastos e abra caminho para descontrole fiscal.
O dólar spot subia 1,33%, a 5,6364 reais, às 9h46, após máxima de 5,6753 reais (+2,03%). Os juros futuros tinham forte aumento nos prêmios, com o DI janeiro 2025 voando 45 pontos-base, a 11,35% ao ano, após ganhar mais de 60 pontos-base no pior momento.
"Cenário global estável. S&P 500 em volta dos 4.500 (pontos) há alguns dias. O protagonismo é completamente voltado ao cenário local. A caixa de pandora foi aberta. Teto de gastos será rompido com aval dos 'liberais'. 400 reais de auxílio é apenas o começo", disse a LAATUS em comentário.
A péssima reação dos preços vem depois de na véspera o ministro da Economia, Paulo Guedes, indicar derrota na batalha contra planos de romper o teto de gastos.
Guedes disse que o governo avalia se o benefício temporário que irá vitaminar o novo Bolsa Família será pago fora do teto, o que demandaria uma licença para um gasto de cerca de 30 bilhões de reais, ou se haverá opção por uma mudança na regra constitucional do teto de gastos para acomodá-lo.
O chefe da Economia afirmou ainda que caberá ao relator da PEC dos Precatórios, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), viabilizar uma fórmula que garanta o pagamento de um benefício social de 400 reais em 2022 respeitando o arcabouço fiscal do país.
O ministro deve participar de evento no fim desta quinta-feira.
Para piorar, o Banco Central não anunciou venda líquida de dólares --seja na forma de swap cambial, seja de moeda física-- para esta quinta, mas dada a disparada do dólar agentes financeiros não descartam que o Bacen intervenha de surpresa no mercado.
E o exterior tampouco ajuda, em dia de queda das bolsas de valores e de moedas emergentes, em meio a renovados temores relacionados ao mercado imobiliário chinês. E dados de auxílio-desemprego nos EUA vieram melhores que o esperado, corroborando expectativas de corte de estímulos nos EUA, o que teoricamente prejudicaria ativos de mercados emergentes, caso do real.
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