Ibovespa fecha no azul com bancos e Petrobras, mas incerteza fiscal atenua recuperação
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou marginalmente no azul nesta terça-feira, tendo bancos e Petrobras entre os principais suportes, além da recuperação em Wall St, enquanto preocupações com o cenário fiscal do país ainda minam o apetite de agentes financeiros.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação positiva de 0,06%, a 110.457,64 pontos, após, no melhor momento do dia, ultrapassar 111 mil pontos. O volume financeiro somou 29,4 bilhões de reais. Na véspera, o Ibovespa fechou em queda de mais de 2%.
Em Nova York, os pregões experimentaram uma sessão de recuperação, puxada por ações de empresas de tecnologia, como Apple e Microsoft, enquanto agentes aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano na sexta-feira.
O S&P 500 avançou 1%, com números sobre a atividade econômica dos EUA também no radar.
Para o economista sênior do Banco ABC Brasil Daniel Xavier, o ambiente de incerteza fiscal ainda presente no Brasil está entre os fatores que inibiram uma alta mais expressiva do Ibovespa nesta sessão.
"Não se sabe ainda claramente como o novo programa de renda do governo federal será financiado a partir do ano que vem", exemplificou, acrescentando que declarações como as do relator da reforma do Imposto de Renda no Senado acentuam as incertezas.
O senador Ângelo Coronel (PSD-BA) afirmou nesta terça-feira que fará seu parecer no seu tempo e não segundo o que o Ministério da Economia quer. A reforma do IR é uma das apostas para o governo ter espaço fiscal para o programa.
O sócio da Monte Bravo Investimentos Rodrigo Franchini também destacou a questão dos precatórios, além de preocupações com o crescimento econômico, inflação e incertezas no campo político como fatores desfavoráveis na cena brasileira.
Para ele, um bom movimento na bolsa paulista no curto prazo é muito mais pelo preço dos seus ativos do que pela perspectiva econômica de médio e longo prazos.
Após começar outubro com alta, o Ibovespa já mostra performance negativa no mês, vindo de declínios acumulados de 6,6% em setembro, 2,5% em agosto e 3,9% em julho. No ano, contabiliza uma queda de 7,2%.
DESTAQUES
- BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 4,76%, tendo de pano de fundo relatório do Safra, no qual os analistas afirmam ver múltiplos bastante atrativos para as ações, avaliando que o banco está mostrando boa recuperação em seus números para 2021 e observando sinais de que tal tendência deve continuar em 2022.
- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN valorizaram-se 2,42% e 1,69%, endossando o fechamento positivo, enquanto, no setor, BANCO PAN PN foi o destaque negativo entre os bancos do Ibovespa, com declínio de 6,4%, enquanto investidores ainda avaliam o anúncio de acordo para a incorporação da Mosaico.
- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON avançaram 2,19% e 1,67%, respectivamente, acompanhando a alta do petróleo no exterior, onde Brent fechou com acréscimo de 1,6%, a 82,56 dólares o barril. A companhia também está realizando perfurações nos blocos Aram e Três Marias, ambos no pré-sal da Bacia de Santos.
- GPA ON subiu 6,80% e o rival CARREFOUR BRASIL ON avançou 2,50%. Analistas da Genial Investimentos veem o valor do setor como muito atrativo, negociando a múltiplos abaixo de seus níveis históricos e que não refletem todas suas perspectivas futuras, "onde os players estarão estruturalmente melhores aos níveis pré-pandêmicos".
- VALE ON cedeu 0,72%, em sessão relativamente frágil para o setor de mineração e siderurgia, embora CSN ON tenha encerrado com elevação de 0,32%.
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