Bancos terão que incorporar riscos de mudanças climáticas a testes de estresse a partir de 2022
![]()
Por Carolina Mandl
SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central anunciou nesta quarta-feira novas regras que obrigam os bancos a incorporar riscos relacionados a mudanças climáticas, como secas, inundações e incêndios, a seus testes de estresse a partir de julho de 2022.
O diretor de Regulação do BC, Otavio Damaso, disse que a nova regulamentação visa evitar que esses riscos possam potencialmente gerar instabilidade financeira. Mas no momento o Banco Central não vai demandar capital adicional para fazer frente aos riscos relacionados a mudanças climáticas, deixando essa decisão a critério dos bancos.
Com a iniciativa, o BC se junta a outros reguladores financeiros do mundo na exigência de ações relacionadas ao clima por parte das instituições financeiras. Alguns países, como França e Holanda, já lançaram testes de estresse incorporando riscos ligados a mudanças climáticas, e muitos outros estão se preparando para fazê-lo, segundo o Instituto de Estabilidade Financeira do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
O BC não está vetando a concessão de empréstimos, mas a análise do risco relacionado a mudanças climáticas pode encarecer linhas para algumas empresas e setores caso os bancos considerem necessário alocar mais capital para se precaverem.
Em abril do próximo ano, o BC planeja lançar seu próprio teste de estresse para riscos ligados a mudanças climáticas, incorporando todos os bancos sob o mesmo critério de risco.
A autarquia também tornou obrigatório às instituições financeiras divulgar informações relacionadas ao clima como parte de seus relatórios financeiros, o que está em linha com recomendações da força tarefa do Conselho de Estabilidade Financeira do G20 que trata do tema (TCFD na sigla em inglês).
O Banco Central também anunciou regras que proíbem empréstimos rurais para projetos em terras indígenas ou em certas áreas do bioma amazônico. No entanto, o BC adiou a criação de um selo verde de "empréstimo sustentável" para projetos que seguem as melhores práticas ambientais.
O chefe do Departamento de Regulação das Operações do Crédito Rural do BC, Claudio Filgueiras, disse que a instituição ainda discute esse marco com o setor do agronegócio, que tem criticado as regras propostas. Em comentários enviados ao BC em maio, alguns grupos de lobby disseram que a regulamentação poderia prejudicar o financiamento agrícola.
"Ao fortalecer as regras associadas às questões sociais, ambientais e climáticas, cujo impacto, positivo ou negativo, é cada vez mais relevante para a solvência das instituições, o BC reafirma seu papel de garantidor do equilíbrio, da confiabilidade e da solidez do SFN (sistema financeiro nacional)", disse o BC em nota.
0 comentário
Dólar cai para perto de R$5,00 com expectativa de acordo entre Irã e EUA
Erdogan, da Turquia, diz a Trump que problemas com o Irã podem ser resolvidos
Trump diz que está disposto a esperar alguns dias para conseguir "resposta certa" do Irã
Ata do Fed mostra mais membros prontos para preparar terreno para aumento de juros
Ibovespa sobe na abertura com aval do exterior
Dia do Agro: bancada articula avanço de projetos estratégicos para o setor produtivo